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A displasia do desenvolvimento do quadril (DDQ) é uma condição ortopédica caracterizada pela formação anormal da articulação entre a cabeça do fêmur e o acetábulo. Quando ocorre de forma bilateral, ou seja, em ambos os quadris, o diagnóstico pode ser mais desafiador, já que os sinais clínicos muitas vezes se apresentam de maneira simétrica e menos evidente.
Essa condição, se não identificada precocemente, pode comprometer a mobilidade, causar dor e levar a complicações articulares ao longo da vida. O reconhecimento precoce e o tratamento adequado são fundamentais para garantir um desenvolvimento saudável da articulação e prevenir sequelas. Neste artigo, falaremos mais a respeito para que os pais ou responsáveis fiquem atentos e busque ajuda. Leia mais!

O que é displasia de quadril bilateral?
A displasia de quadril bilateral é uma condição em que os dois quadris da criança (bilateral) apresentam formação anormal da articulação entre o fêmur e o osso do quadril (acetábulo). Isso pode variar desde uma imaturidade até um desencaixe total da articulação (luxação) em ambos os lados.
Entendendo a articulação do quadril
A articulação do quadril funciona como uma “bola e encaixe”:
– Cabeça do fêmur (bola);
– Acetábulo do osso do quadril (encaixe);
Na displasia:
– O acetábulo é raso ou malformado;
– A cabeça do fêmur não se encaixa bem;
– Isso pode causar instabilidade, subluxação (deslocamento parcial) ou até luxação total.
Quando a displasia é considerada bilateral?
A displasia é considerada bilateral quando ambos os lados do quadril apresentam sinais de displasia. Pode ocorrer em graus diferentes em cada lado, mas ambos têm alterações.
Por que pode ser mais difícil de perceber a displasia de quadril bilateral?
A displasia de quadril bilateral pode ser mais difícil de perceber por vários motivos, principalmente porque os sinais clínicos costumam ser mais sutis e simétricos. Entre os principais fatores que explicam essa dificuldade estão:
1. Ausência de assimetria
- Em casos unilaterais (apenas um lado afetado), é comum haver assimetria nos membros inferiores, dobras de pele ou limitação de movimento de um lado, o que chama atenção rapidamente.
- Já na displasia bilateral, como ambos os lados estão comprometidos, essas assimetrias não aparecem, o que dificulta a suspeita clínica.
2. Marcha aparentemente “normal” nos primeiros passos
- Crianças com displasia bilateral podem desenvolver uma marcha em balanço (marcha de pato), mas isso só se torna evidente quando a criança começa a andar.
- Antes disso, pode não haver sinais claros, o que atrasa o diagnóstico.
3. Adaptação funcional
- O corpo da criança pode se adaptar funcionalmente ao problema em ambos os quadris, disfarçando sinais de dor ou limitação.
- Isso pode fazer com que pais e médicos não percebam algo anormal até que o atraso motor ou problemas de marcha fiquem mais evidentes.
4. Diagnóstico tardio sem triagem adequada
- Se não for feito um rastreamento neonatal adequado (com a ultrassonografia do quadril pelo método de Graf em pacientes com fatores de risco), a displasia bilateral pode passar despercebida até fases mais avançadas do desenvolvimento.
Exames mais indicados para diagnosticar a displasia de quadril bilateral
O diagnóstico da displasia de quadril bilateral deve começar com o exame físico, realizado pelo pediatra nos primeiros dias de vida, com as manobras de Barlow e Ortolani. Porém, segundo a literatura 50% das crianças que necessitam de tratamento, nascem sem sinal clínico.
A ultrassonografia de quadril é o exame de imagem mais indicado até os 6 meses de idade, pois permite avaliar a articulação formada em 80% por cartilagem. É essencial para confirmar o diagnóstico, especialmente em casos bilaterais.
Após os 6 meses, a radiografia de quadril é indicada, pois o osso já está mais formado. Ela ajuda a avaliar o desenvolvimento da articulação e confirmar o posicionamento do fêmur.
Em situações mais graves ou após cirurgias, exames como a ressonância magnética ou tomografia computadorizada podem ser utilizados para detalhar as estruturas do quadril e auxiliar no planejamento do tratamento.

O momento ideal de buscar a ajuda de um especialista…
O exame com um especialista em ultrassonografia do quadril pelo método de Graf, é indicada sempre que houver fatores de risco, como apresentação pélvica, histórico familiar de displasia de quadril, pouco líquido amniótico, sexo feminino ou primogênito.
Sempre é necessário buscar avaliação médica especializada se surgirem sinais clínicos, como estalos no quadril, dificuldade para abrir as pernas, dobras assimétricas nas coxas, pernas de comprimentos diferentes, ou atraso para sentar e andar. Em crianças maiores, a marcha anormal (como mancar ou andar rebolando) pode ser um sinal de displasia bilateral.
Em resumo, a avaliação precoce e precisa através da ultrassonografia pelo método de Graf realizado por um especialista, garante a possibilidade de um tratamento eficaz o que pode prevenir complicações futuras.
A displasia de quadril bilateral representa uma condição que exige atenção especial por parte de profissionais da saúde, especialmente nas primeiras semanas de vida. A ausência de assimetrias visíveis dificulta o diagnóstico clínico, o que pode atrasar o início do tratamento. No entanto, com triagem adequada, com a ultrassonografia do quadril infantil pelo método de Graf no período neonatal, é possível identificar e dar a chance de tratar de forma simples, promovendo a formação normal da articulação e prevenindo consequências graves, como a artrose precoce e limitações funcionais. Dessa forma, a conscientização sobre a displasia do quadril é essencial para um cuidado pediátrico mais eficaz e resolutivo.
A Dra. Giovanna Braga Motta é especialista em ultrassonografia pediátrica, com ênfase em alterações do quadril infantil, oferecendo um atendimento humanizado, cuidadoso e preciso para garantir diagnósticos assertivos. Graduada pela Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública, realizou residência em Pediatria no Hospital Roberto Santos, em Salvador, e especializou-se em Ultrassonografia em São Paulo. Com tese de mestrado, doutorado e pós doc pela UNIFESP em ultrassonografia do quadril para diagnóstico da DDQ. Atualmente, atua como ultrassonografista pediátrica em seu consultório particular, pronta para oferecer o diagnóstico especializado que você e seu bebê precisam e merecem.



