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A displasia do desenvolvimento do quadril (DDQ) é uma alteração estrutural da articulação coxofemoral que pode afetar o desenvolvimento locomotor da criança, especialmente se não diagnosticada precocemente.
Embora a ultrassonografia do quadril seja o método de escolha para rastreamento nos primeiros meses de vida, o diagnóstico em bebês prematuros apresenta desafios adicionais. A imaturidade óssea e cartilaginosa, somada à ausência de protocolos específicos para esta população, pode dificultar a interpretação dos achados ultrassonográficos, aumentando o risco de subdiagnóstico ou diagnósticos imprecisos.
Este artigo tem como objetivo discutir as peculiaridades do diagnóstico de DDQ em recém-nascidos prematuros, destacando a importância do acompanhamento individualizado e o papel fundamental da ultrassonografia de quadril pelo método de Graf. Boa leitura!

Revisão da Literatura
Este artigo é uma revisão narrativa baseada em literatura científica indexada nas bases de dados PubMed, Scopus, BVS e ScienceDirect, utilizando os descritores: “developmental dysplasia of the hip”, “premature infants”, “hip ultrasonography”, “Graf method” e “diagnostic challenges”.
Foram incluídos artigos publicados entre 2000 e 2024, com foco em estudos clínicos, revisões sistemáticas e diretrizes relacionadas ao rastreamento e diagnóstico da DDQ em prematuros. A seleção priorizou publicações com avaliação metodológica rigorosa e aplicabilidade clínica.
Displasia do Quadril: Conceito e impacto clínico
A displasia do quadril é definida como a perda da congruência anatômica entre a cabeça do fêmur e o acetábulo, comprometendo a estabilidade articular. A etiologia é multifatorial e inclui componentes genéticos, hormonais e mecânicos. Entre os fatores de risco estão a apresentação pélvica durante a gestação, histórico familiar, sexo feminino e primogênito.
A condição pode não apresentar sinais clínicos evidentes nos primeiros dias de vida, o que justifica a adoção de métodos de imagem, como a ultrassonografia do quadril pelo método de Graf, para rastreamento seguro e eficaz. Quando identificada precocemente, a DDQ pode ser corrigida com medidas não cirúrgicas, como o suspensório de Pavlik, evitando complicações e procedimentos cirúrgicos no futuro.
A ultrassonografia de quadril, especialmente quando realizada pelo método de Graf, permite avaliar a morfologia da articulação, utilizando parâmetros como os ângulos alfa e beta. A aplicação desse método em bebês a termo ou prematuros é bem estabelecida.
Prematuridade e os desafios no diagnóstico por ultrassonografia
O principal desafio na aplicação da ultrassonografia para DDQ em bebês prematuros reside na técnica de realização do exame, posicionando as pernas do bebê na posição adequada, para evitar erros de inclinação na captura das imagens.
Nessa população, as proeminências ósseas, dificultam a obtenção de imagens padronizadas, e a interpretação dos ângulos utilizados no método de Graf.

Estudos como os de Sink et al. (2011) e Cerrato et al. (2014) apontam que as medidas angulares obtidas em prematuros podem simular displasia, mesmo na ausência de alterações clínicas ou de evolução patológica.
Além disso, a posição prolongada em incubadoras, uso de dispositivos de suporte e alterações no tônus muscular dos prematuros podem afetar a postura do quadril, interferindo na avaliação ultrassonográfica. Esses fatores tornam fundamental o ajuste da idade cronológica com a idade corrigida para análise dos resultados, e indicação de tratamento.
Em revisão sistemática publicada em 2022 no Journal of Pediatric Orthopaedics, foi demonstrado que a realização da ultrassonografia em prematuros, sem considerar a maturação esquelética individual, apresenta maior taxa de tratamentos.
A necessidade de acompanhamento individualizado
Dada a complexidade do diagnóstico de DDQ em bebês prematuros, é imprescindível adotar um acompanhamento individualizado, que leve em consideração não apenas a idade gestacional e a idade corrigida, mas também o estado clínico e neurológico do bebê.
A recomendação atual, conforme diretrizes da American Academy of Pediatrics (AAP), é que a ultrassonografia seja postergada até pelo menos seis semanas após a data esperada para o termo, a fim de evitar interpretações equivocadas causadas pela imaturidade fisiológica, e dificuldade técnica na realização do exame.
Esse acompanhamento deve ser feito por equipe multidisciplinar, envolvendo neonatologia, ultrassonografista especializada e ortopedia pediátrica. É essencial realizar o exame com profissionais experientes e treinados na técnica de Graf, capazes de ajustar a interpretação às condições específicas do prematuro.
Ainda, o monitoramento sequencial, com exames de repetição em intervalos apropriados, é altamente recomendado para avaliar a maturação progressiva da articulação coxofemoral e decidir com segurança pela necessidade de tratamento.
Estudos de longo prazo, como os conduzidos por Ömeroğlu et al. (2019), demonstram que muitos prematuros com quadris inicialmente imaturos evoluem para normalidade sem necessidade de intervenção, desde que adequadamente acompanhados.
Método seguro para diagnosticar displasia do quadril
A literatura científica aponta para um dilema: enquanto a ultrassonografia é o método mais seguro e eficaz para diagnosticar DDQ precocemente, seu uso em prematuros exige cautela, critérios ajustados e interpretação diferenciada.
Por outro lado, a ausência de triagem em prematuros com fatores de risco pode atrasar o diagnóstico de casos verdadeiramente patológicos. Esse equilíbrio exige decisões clínicas embasadas e centradas no paciente, com apoio da equipe especializada e protocolos individualizados.
A formação e atualização dos profissionais de radiologia e ortopedia pediátrica também se destacam como pilares para melhorar a acurácia diagnóstica e reduzir a variabilidade entre observadores.
Displasia do quadril em prematuros
A avaliação da displasia do quadril em prematuros representa um desafio significativo na prática clínica. A aplicação da ultrassonografia do quadril pelo método de Graf, embora eficaz e segura, requer ajustes interpretativos quando aplicada nessa população, com a realização da técnica adequada, e interpretação correta especialmente quanto à idade corrigida e à maturidade óssea.
Para garantir diagnósticos confiáveis, é necessário realizar exames em momentos adequados, com profissionais capacitados, além de adotar um acompanhamento individualizado que respeite o ritmo de desenvolvimento de cada bebê.
Portanto, a integração entre conhecimento técnico, cuidado centrado no paciente é fundamental para o sucesso do diagnóstico e prevenção de complicações da DDQ em prematuros.
A ultrassonografia do quadril é o método mais eficaz e seguro para rastreamento e diagnóstico precoce da displasia do desenvolvimento do quadril em bebês prematuros, contribuindo significativamente para evitar sequelas ortopédicas graves, como dor crônica, limitação funcional, desgaste precoce na articulação e claudicação na vida adulta.
A Dra. Giovanna Braga Motta é especialista em ultrassonografia pediátrica, com ênfase em alterações no quadril infantil, oferecendo um atendimento humanizado, cuidadoso e preciso para garantir diagnósticos assertivos. Graduada pela Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública, realizou residência em Pediatria no Hospital Roberto Santos, em Salvador, e especializou-se em Ultrassonografia em São Paulo. Com tese de mestrado, doutorado e pós doc em ultrassonografia do quadril para diagnóstico da DDQ. Atualmente, atua como ultrassonografista pediátrica em seu consultório particular, pronta para oferecer o diagnóstico preciso que você e seu bebê merecem.



