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Embora a displasia do desenvolvimento do quadril (DDQ) geralmente seja diagnosticada após o nascimento, alguns fatores de risco podem ser identificados ainda durante o pré-natal. Reconhecer essas condições antecipadamente permite o diagnóstico precoce do bebê ao nascimento, realizando a ultrassonografia do quadril pelo método de Graf.
Saiba mais sobre a displasia de quadril, suas causas e se ela pode ser detectada no pré-natal, neste artigo. Continue lendo!

O que se entende por displasia do desenvolvimento do quadril (DDQ)?
A displasia do desenvolvimento do quadril (DDQ) é uma condição em que a articulação entre a cabeça do fêmur e o acetábulo não se desenvolve de forma adequada. Essa alteração pode variar desde uma leve instabilidade até uma luxação completa, comprometendo o alinhamento e a estabilidade articular, fundamentais para a articulação exercer a sua função ao longo da vida.
A DDQ pode estar presente desde o nascimento e é mais comum em meninas, em bebês que estiveram em apresentação pélvica durante a gestação ou que possuem histórico familiar da condição. Quando identificada precocemente, geralmente ainda nas primeiras semanas de vida, o tratamento é simples e apresenta excelentes resultados.
Por outro lado, a ausência de diagnóstico ou tratamento adequado pode levar a consequências importantes, como dor crônica, limitação funcional, desgaste precoce da articulação (artrose) e, muitas vezes, a necessidade de procedimentos cirúrgicos corretivos mais complexos na infância ou na vida adulta.
O que pode causar a displasia do quadril em bebês?
Histórico familiar: Crianças com parentes de primeiro grau, como pais ou irmãos, que tiveram displasia do desenvolvimento do quadril (DDQ), apresentam um risco significativamente aumentado de desenvolver a condição. O fator genético é, portanto, um importante elemento a ser considerado na triagem neonatal.
Sexo feminino: A DDQ é consideravelmente mais frequente em meninas. Acredita-se que isso se deva a uma maior sensibilidade aos hormônios maternos, como o relaxina, que podem deixar as articulações do feto mais frouxas, aumentando a chance de instabilidade no quadril.
Apresentação pélvica: Bebês que permanecem em apresentação pélvica, ou seja, sentados no útero, com as nádegas voltadas para o canal de parto têm maior propensão a desenvolver instabilidade articular, devido à posição desfavorável que pressiona o quadril durante a gestação.
Primogênitos: Em gestações de primeiro filho, o útero tende a ser menos elástico, o que pode limitar os movimentos fetais. Essa restrição pode interferir no desenvolvimento adequado da articulação do quadril, aumentando o risco de displasia.
Restrição de espaço intrauterino: Condições que diminuem o espaço dentro do útero, como gestações múltiplas ou a presença de oligoâmnio (baixa quantidade de líquido amniótico), dificultam a mobilidade fetal. Essa limitação pode comprometer a formação adequada da articulação do quadril.
Alterações ortopédicas associadas: Algumas malformações congênitas, como torcicolo congênito e pé torto congênito, são frequentemente associadas à DDQ. A presença dessas alterações deve servir como alerta para uma investigação mais detalhada da articulação do quadril.
A displasia de quadril pode ser detectada no pré-natal?
A displasia do desenvolvimento do quadril (DDQ) infantil geralmente não é detectada no pré-natal com ultrassonografias de rotina, mas já existem pesquisadores estudando uma forma de identificar pelo menos o tipo mais grave, para que ao nascimento, já inicie o tratamento.
O que pode ser visto no pré-natal?
- A ultrassonografia obstétrica convencional foca em órgãos vitais do feto e na posição que o bebê adquire intraútero, não conseguimos realizar o método de Graf, mas é possível avalia a morfologia do quadril e a congruência entre os ossos.
- Em alguns casos raros, uma ultrassonografia morfológica detalhada pode sugerir anormalidades articulares ou assimetrias nos membros, mas isso não é diagnóstico de DDQ.
Em crianças que possuem fatores de risco podem ser orientados na consulta ou exame pré natal:
- Se houver antecedentes familiares de DDQ ou outras anormalidades ortopédicas congênitas, devem realizar a ultrassonografia do quadril pelo método de Graf, beneficiando o paciente com diagnóstico precoce.
- Em gestações de bebês pélvicos (posição sentada), há um risco aumentado de DDQ, então o recém-nascido deve realizar a ultrassonografia do quadril o mais precocemente possível após o nascimento.
Qual a forma correta de diagnosticar a DDQ?
O diagnóstico precoce da displasia do desenvolvimento do quadril (DDQ) é essencial para evitar complicações a longo prazo, como dor crônica, alterações na marcha e até artrose precoce. Por isso, a abordagem diagnóstica deve ser cuidadosa e precoce, e incluir tanto a avaliação clínica direcionada quanto o exame de ultrassonografia do quadril, capazes de confirmar a suspeita da condição.
Desde os primeiros dias de vida, o exame clínico do recém-nascido inclui manobras específicas, como as de Ortolani e Barlow, destinadas a avaliar a estabilidade da articulação do quadril. Essas manobras são fundamentais no rastreamento neonatal, pois permitem identificar sinais iniciais de instabilidade ou luxação, que caracterizam a displasia. Porém apenas o exame físico não pode descartar a possibilidade da DDQ.
Nas primeiras semanas de vida, o exame de imagem mais indicado é a ultrassonografia do quadril infantil pelo método de Graf. Trata-se de uma técnica segura, indolor e não invasiva, que permite uma visibilização detalhada da articulação, ainda majoritariamente formada por cartilagem. A ultrassonografia é especialmente útil até o sexto mês de vida, período em que a ossificação ainda é insuficiente para uma avaliação adequada por radiografia simples.
A partir dos seis meses de idade, com o avanço da calcificação da cabeça femoral, a radiografia do quadril torna-se o exame de escolha. O raio-X da bacia permite analisar a anatomia óssea e a relação entre a cabeça do fêmur e o acetábulo, sendo valioso para o diagnóstico tardio, em casos que não foram identificados precocemente.
A importância do diagnóstico precoce da displasia do quadril
Identificar a displasia do quadril nas primeiras semanas de vida é essencial para garantir o crescimento saudável da criança, com mobilidade plena e qualidade de vida. Quando não detectada precocemente, a condição pode evoluir de forma silenciosa, resultando em dor crônica, limitação de movimentos, encurtamento dos membros e até artrose precoce.
O diagnóstico precoce permite intervenções simples e eficazes, como o uso de órteses, evitando cirurgias e complicações futuras. Além disso, traz segurança aos pais e reforça o papel da medicina preventiva na saúde infantil.
Bebês com fatores de risco, como apresentação pélvica, histórico familiar, gestações múltiplas, oligoâmnio ou alterações ortopédicas associadas devem realizar a ultrassonografia de quadril pelo método de Graf entre a 4ª e a 6ª semana de vida. Um exame simples, mas decisivo para o futuro da criança.
A Dra. Giovanna Braga Motta é especialista em ultrassonografia pediátrica, com dedicação especial a alterações no quadril infantil, oferecendo um atendimento cuidadoso e preciso para garantir diagnósticos assertivos. Graduada pela Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública, realizou residência em Pediatria no Hospital Roberto Santos, em Salvador, e especializou-se em Ultrassonografia em São Paulo. Com tese de mestrado, doutorado e pós doc pela UNIFESP, em ultrassonografia do quadril pelo método de Graf. Atualmente, atua como ultrassonografista pediátrica em seu consultório particular, pronta para oferecer o diagnóstico preciso e especializado que você e seu bebê precisam e merecem.



