
Ultrassonografia: Por que esse exame é indicado no diagnóstico de DDQ?
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16/04/2025Displasia do quadril: Quais são os graus e como são classificados?
A displasia do desenvolvimento do quadril (DDQ) é a condição ortopédica mais comum em recém-nascidos. Ocorre quando a articulação do quadril não se forma corretamente, causando um encaixe inadequado entre a cabeça do fêmur e a cavidade do quadril. Pode variar de formas leves até luxações completas, podendo se apresentar logo ao nascimento ou na primeira infância.
Continue lendo este artigo para saber mais sobre a displasia do quadril, seus graus e como são classificados.

Quais os graus da DDQ e como são classificados?
Os graus da DDQ indicam quão instável ou deslocada está a articulação do quadril, mostrando como está a relação entre o fêmur e o osso do quadril (acetábulo). Para facilitar, imagine o quadril como uma “conchinha” onde a “bolinha” (a cabeça do fêmur) deve se encaixar direitinho. Quando isso não acontece, temos diferentes níveis de displasia.
A melhor classificação e a mais usada é a de Graf, que avaliada através da ultrassonografia do quadril infantil. Ela se divide em 4 tipos, que indicam o grau de maturidade, congruência e desenvolvimento da articulação:
Tipo I – Quadril normal
- Tudo certo com a articulação.
- O encaixe está bem formado, sem risco de deslocamento.
Tipo II – Quadril centralizado, imaturo ou em desenvolvimento
- O quadril ainda não está totalmente formado, mas pode se desenvolver naturalmente com o tempo.
- Pode ser apenas imaturidade (comum em recém-nascidos) e alguns casos já necessitando de tratamento, dependendo da alteração anatômica e idade do bebê.
Tipo D – Primeiro nível da descentralização do quadril
- A “bolinha” já está mal encaixada e não pode se movimentar de forma inadequada facilmente no acetábulo.
- Exige tratamento, como o uso de um suspensório de Pavlik.
Tipo III – Quadril descentralizado, considerado como displasia grave
- A “bolinha” já está mal encaixada e pode escapar parcialmente do acetábulo.
- Exige intervenção ortopédica, como o uso de um suspensório de Pavlik.
Tipo IV – Luxação completa
- A cabeça do fêmur está totalmente fora do encaixe.
- É o caso mais grave, e geralmente requer tratamento mais intensivo. Em muitos casos se resolve também com o uso do suspensório de Pavlik.
Causas e sinais de alerta da displasia do quadril
A DDQ não tem uma causa única, mas existem fatores de risco que aumentam as chances da condição se desenvolver:
- Genética: histórico familiar de displasia aumenta a probabilidade.
- Sexo feminino: meninas são mais afetadas do que meninos.
- Posição intrauterina: bebês que ficaram sentados (posição pélvica) têm maior risco.
- Primogênitos: o útero mais rígido na primeira gestação pode limitar os movimentos do bebê.
- Falta de espaço no útero: gestações múltiplas ou pouco líquido amniótico podem favorecer a DDQ.
- Alterações ortopédicas associadas: torcicolo congênito e pé torto congênito, por exemplo, podem aparecer junto com a displasia.
Sinais
Alguns sinais podem indicar a presença de DDQ, especialmente nos primeiros meses de vida:
- Assimetria das pregas das pernas ou glúteos;
- Estalo ou clique ao movimentar o quadril (detectado pelo médico);
- Limitação na abertura das pernas ao trocar a fralda;
- Diferença no comprimento das pernas;
- Andar mancando ou andar tardio (em casos diagnosticados mais tarde).
O que é preciso fazer para diagnosticar corretamente a DDQ?
O diagnóstico precoce da DDQ é fundamental para evitar complicações a longo prazo, como dores, alterações na marcha e até artrose precoce. Por isso, é essencial que seja feito um exame clínico direcionado, aliado a exames de imagem para confirmar ou descartar a suspeita.
Logo nos primeiros dias de vida, o pediatra realiza testes clínicos específicos — como as manobras de Ortolani e o teste de Barlow — que ajudam a verificar a estabilidade do quadril. Esses testes avaliam se há algum sinal de instabilidade ou luxação da articulação. Essa é uma etapa essencial para detectar sinais precoces de instabilidade.
Nas primeiras semanas de vida, a ultrassonografia do quadril infantil pelo método de Graf, é o melhor exame utilizado para investigar a displasia. Trata-se de uma técnica segura e não invasiva, que permite visualizar em detalhes as estruturas da articulação, mesmo antes de o osso estar completamente formado (fase em que ainda está formado por cartilagem). É o exame de escolha até o 6 mês de vida, quando os ossos ainda não aparecem bem e a articulação pode ser avaliada.
A partir dos 6 meses de idade, quando já há grande calcificação na cabeça do fêmur, a radiografia passa a ser uma ferramenta útil para avaliação. Ela permite uma análise detalhada da formação óssea e da posição da cabeça do fêmur em relação ao acetábulo (a cavidade do quadril), ajudando a confirmar ou descartar o diagnóstico em casos suspeitos.
Cuidados a longo prazo com a DDQ
A displasia do desenvolvimento do quadril (DDQ) é difícil de prevenir, pois envolve fatores genéticos e posicionais que não são controláveis. No entanto, algumas medidas podem ajudar a reduzir o risco da condição:
Correção do enfaixamento (charutinho): Evitar enfaixar bebês com as pernas esticadas e presas, pois isso aumenta muito a chance de piorar o quadril. O ideal é permitir que as pernas permaneçam flexionadas e livres para se movimentar, respeitando a posição natural do quadril do bebê.
Exames de rotina em bebês: A realização de exames físicos de rotina em recém-nascidos e bebês, como os testes de Ortolani e Barlow, auxilia na identificação precoce do problema e permite iniciar o tratamento no momento ideal. Porém muitas vezes o teste negativo não afasta a possibilidade de DDQ. Por isso é fundamental complementar a avaliação com uma ultrassonografia de quadril pelo método de Graf, que deve ser realizada por um profissional treinado e capacitado.
Monitoramento de fatores de risco: Bebês que apresentam fatores de risco, como histórico familiar de DDQ, apresentação pélvica em qualquer momento da gestação ou deformidades nos pés, devem ser avaliados pela ultrassonografia do quadril pelo método de Graf.
Embora não seja possível prevenir todos os casos, a detecção precoce e os cuidados adequados podem evitar complicações graves e melhorar significativamente os resultados a longo prazo.
A Dra. Giovanna Braga Motta é médica com ampla formação em Pediatria, Neonatologia e Ultrassonografia, com especialização em ultrassonografia pediátrica. Possui mestrado e doutorado pela UNIFESP, com foco no diagnóstico da Displasia do Desenvolvimento do Quadril (DDQ) em bebês, por meio do método de Graf — técnica que domina desde 1995, com aperfeiçoamento direto com o Professor Graf o criador do método na Europa.
Com mais de 20 anos de experiência e dedicação exclusiva à saúde do quadril infantil, alia ciência, precisão diagnóstica e acolhimento no atendimento. Seu propósito é transformar a vida dos pequenos pacientes com diagnósticos precoces, assertivos e baseados em evidências.



