
Displasia do quadril: Quando suspeitar e buscar avaliação médica?
02/10/2025
O que pode atrasar o diagnóstico da displasia de quadril infantil?
29/10/2025Waddling: Entenda a marcha típica da displasia de quadril não diagnosticada
Waddling — ou marcha anserina — é um padrão de marcha com passos curtos e oscilação lateral do tronco, lembrando o caminhar de um pato. Geralmente decorre de insuficiência dos abdutores do quadril e/ou instabilidade articular, como na displasia do desenvolvimento do quadril (DDQ), além de ocorrer em algumas miopatias e na gestação. Quando persistente, é um sinal de alerta que merece investigação.
Entenda mais a respeito do waddling, a marcha típica da displasia de quadril não diagnosticada, quais são os sinais e a importância de uma avaliação médica, neste artigo!

Entenda mais sobre o waddling
Waddling (marcha anserina) é um padrão de marcha com passos curtos e oscilação lateral do tronco, lembrando o caminhar de um pato. Em crianças com displasia do desenvolvimento do quadril (DDQ), ele pode surgir pela instabilidade da articulação do quadril e pela insuficiência dos músculos abdutores (glúteo médio e mínimo), o que provoca distribuição desigual do peso e dificuldade para manter a pelve estável a cada passada.
Esse “gingado” não é esperado no desenvolvimento motor típico infantil e, quando presente, especialmente se persistente ou bilateral, deve ser considerado um sinal de alerta, indicando a necessidade de avaliação com ortopedista pediátrico.
Possíveis causas da marcha
A marcha anserina (waddling) pode ter diferentes causas:
Fraqueza muscular proximal — sobretudo dos abdutores do quadril (glúteo médio e mínimo), como ocorre em distrofias musculares e outras miopatias, levando ao desequilíbrio pélvico a cada passo.
Alterações ortopédicas — desalinhamentos ou disfunções em quadril, joelho ou tornozelo (por exemplo: displasia do quadril, deformidades femorais, discrepância de membros) que mudam a mecânica da marcha.
Gravidez — mais no terceiro trimestre, por mudança do centro de gravidade e maior frouxidão pélvica, resultando em balanço lateral do tronco.
Condições congênitas — como a displasia do desenvolvimento do quadril (DDQ), que podem gerar instabilidade articular e o padrão “gingado” desde cedo.
Se o “gingado” for persistente, vier com dor, quedas ou fraqueza progressiva, é indicada avaliação.
Como a marcha costuma parecer?
- Passos curtos, base um pouco alargada;
- Inclinação lateral do tronco alternada;
- Aumento da lordose lombar (compensação);
- Pode haver cansaço, dor lateral do quadril/virilha ou sensação de “soltura”;
- Dificuldade para ficar numa perna só (cai a pelve do lado oposto);
- Limitação de abdução (abrir as pernas) e/ou rotação interna;
- Em crianças: atraso para andar, tropeços, queda frequente; em bebês, história de cliques no quadril.
Diferenciar de outras causas de waddling
Para diferenciar a marcha anserina por DDQ de outras causas, observe padrão de sintomas, presença de dor, força proximal e achados do exame (Trendelenburg, reflexos e sensibilidade):
Fraqueza muscular proximal (miopatias/distrofias): costuma ser progressiva, frequentemente bilateral e com pouca dor no quadril. Há dificuldade para levantar da cadeira, subir escadas e, às vezes, sinal de Gowers. Força proximal reduzida, sem instabilidade articular típica.
Gestação, hiperlordose e obesidade: o waddling é adaptação mecânica por mudança do centro de gravidade e frouxidão pélvica. Em geral, ocorre sem dor focal na virilha e sem testes de instabilidade; tende a melhorar após o parto, perda de peso e fortalecimento.
Doenças neurológicas: costumam vir com outros sinais (reflexos alterados, tônus anormal, sensibilidade ou ataxia) e pouca dor articular localizada. O exame neurológico direciona o diagnóstico.
Como os médicos avaliam a DDQ?
O diagnóstico precoce da displasia do desenvolvimento do quadril é fundamental para evitar dor crônica, alterações da marcha e artrose precoce. A avaliação deve combinar exame clínico dirigido e métodos de imagem para confirmar ou afastar a suspeita.
Desde os primeiros dias de vida, os pediatras realizam as manobras de Ortolani e Barlow como parte da triagem neonatal e nas consultas de puericultura, para verificar a estabilidade da articulação.
Nas primeiras semanas/meses, o exame de escolha é a ultrassonografia do quadril pelo método de Graf, técnica segura, indolor e não invasiva que visualiza bem a articulação ainda predominantemente cartilaginosa. A ultrassonografia do quadril é especialmente útil até cerca de 6 meses de vida, quando a ausência de ossificação ainda não permite uma avaliação completa da articulação pela radiografia simples.
A partir dos 6 meses de vida, geralmente a articulação apresenta núcleo de ossificação da cabeça femoral, e a radiografia da bacia passa a ser o método preferido. O raio-X avalia a anatomia óssea e a relação entre cabeça femoral e acetábulo, contribuindo para o diagnóstico em casos suspeitos inclusive nos que não foram identificados precocemente.
Quando procurar avaliação de um especialista em displasia?
Procure um ortopedista pediátrico se a criança apresentar:
- Marcha “rebolada” persistente;
- Dor de quadril/virilha;
- Limitação para correr/pular;
- História familiar de displasia, ou sintomas que pioram.
Diagnóstico precoce e sua importância
O diagnóstico precoce da displasia do desenvolvimento do quadril é essencial para assegurar o crescimento saudável da criança e prevenir complicações futuras. Quando identificada nos primeiros meses de vida, a condição costuma responder a tratamentos simples e pouco invasivos, com excelentes resultados. Já o diagnóstico tardio tende a aumentar a complexidade das intervenções e o risco de sequelas.
O “gingado” não faz parte do desenvolvimento motor típico. Identificar sua causa e tratar precocemente, sobretudo nos casos de DDQ, previne dor, altera menos a marcha e reduz o risco de artrose. Diante de marcha anserina persistente, procure avaliação médica.
A Dra. Giovanna Braga Motta é especialista em ultrassonografia pediátrica, com ênfase em alterações no quadril infantil, oferecendo um atendimento humanizado, cuidadoso e preciso para garantir diagnósticos assertivos. Graduada pela Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública, realizou residência em Pediatria no Hospital Roberto Santos, em Salvador, e especializou-se em Ultrassonografia em São Paulo. Com tese de mestrado, doutorado e pós-doc em ultrassonografia do quadril para diagnóstico da DDQ. Atualmente, atua como ultrassonografista pediátrica em seu consultório particular, pronta para oferecer o diagnóstico especializado que você e seu bebê merecem.



