
Displasia do desenvolvimento do quadril: O que é e como diagnosticar
20/01/2025
Entenda o impacto psicológico da displasia do quadril na vida dos pacientes
20/01/2025Displasia típica e teratológica: Principais sinais de alerta
A displasia do desenvolvimento do quadril (DDQ) é uma condição ortopédica que afeta o quadril, e pode ser dividida em dois tipos: displasia típica e displasia teratológica. Ambas têm características e sinais de alerta distintos, importantes para o diagnóstico precoce.
Saiba mais sobre a displasia típica e teratológica, os principais sinais de alerta, a gravidade e o que fazer para um diagnóstico assertivo, neste artigo. Confira!

O que é a displasia típica?
A displasia típica, especialmente a displasia do quadril (ou displasia do desenvolvimento do quadril), é uma condição que afeta o encaixe correto da articulação do quadril. Ela ocorre quando o acetábulo (cavidade do quadril) não se desenvolve adequadamente, causando instabilidade ou deslocamento da cabeça do fêmur.
Principais sinais de alerta da displasia típica
A displasia típica ocorre em crianças com desenvolvimento normal, geralmente em recém-nascidos. Os principais sinais de alerta incluem:
- Assimetria nas pregas glúteas: Bebês com displasia de quadril podem apresentar dobras nas nádegas visivelmente diferentes.
- Mobilidade limitada: Dificuldade para mover uma ou ambas as pernas do bebê, como uma limitação ao abrir as pernas em um movimento em formato de “V”.
- Estalos ou cliques nas articulações: Ao movimentar as pernas do bebê, os pais podem sentir ou ouvir um estalo na articulação do quadril.
- Diferença no comprimento das pernas: Em casos mais graves, uma perna pode parecer mais curta do que a outra.
- Marcha alterada: Em crianças maiores ou adultos, pode haver claudicação (mancar) ao caminhar devido à instabilidade articular.
O que é a displasia teratológica?
A displasia teratológica é uma forma mais grave e rara, frequentemente associada a malformações congênitas complexas. Nesses casos, a displasia é causada por alterações graves na formação dos tecidos durante a gestação. Pode estar presente em condições como a síndrome de Larsen ou a artrogripose.
Quais os sintomas da displasia teratológica?
Esse tipo de displasia é mais grave e ocorre frequentemente em bebês com malformações congênitas ou outras condições associadas, como a mielomeningocele. É mais difícil de tratar e frequentemente diagnosticada ao nascimento. Os sinais de alerta incluem:
- Deformidades evidentes ao nascer: Bebês podem nascer com articulações significativamente malformadas, limitando os movimentos logo após o nascimento.
- Rigidez articular: Ao contrário da displasia típica, onde pode haver mobilidade limitada, a displasia teratológica geralmente apresenta articulações rígidas e pouca ou nenhuma mobilidade.
- Luxação congênita do quadril: Diferente da displasia típica, a luxação na displasia teratológica já está presente no nascimento, sem possibilidade de “encaixe” espontâneo da articulação.
- Problemas respiratórios e cardíacos: Em casos mais graves, a displasia teratológica pode estar associada a malformações que afetam outros órgãos, como os pulmões e o coração.
- Associação com outras síndromes genéticas: A displasia teratológica frequentemente está vinculada a condições genéticas, o que pode levar a outros sinais clínicos, como alterações nos dedos, na face ou no crânio.
Como diagnosticar corretamente?
O diagnóstico correto da displasia do desenvolvimento do quadril (DDQ), tanto na forma típica quanto na teratológica, envolve uma combinação de exame clínico, avaliação de fatores de risco, e exames de imagem como ultrassonografia e radiografia. O passo a passo pode incluir:
História clínica e fatores de risco
Identificar fatores de risco para DDQ é um passo essencial no diagnóstico precoce. Alguns dos principais fatores de risco incluem:
- História familiar de displasia do quadril principalmente em parentes de primeiro grau.
- Apresentação pélvica durante a gestação.
- Sexo feminino (meninas têm maior incidência de DDQ).
- Oligoidrâmnio (baixo volume de líquido amniótico durante a gestação).
- Primeira gestação, pois a musculatura da mãe na primeira gestação é mais firme, limitando os movimentos fetais.
Exame clínico físico
O exame físico neonatal, geralmente realizado nas primeiras 48 horas de vida, e subsequentes avaliações periódicas são essenciais para o diagnóstico precoce. As manobras clínicas mais comuns incluem:
- Manobra de Ortolani
- Manobra de Barlow
- Limitação da abdução
- Assimetria das pregas cutâneas
Exames de imagem
Quando há fatores de risco ou suspeita clínica de DDQ, o exame de imagem é fundamental para confirmar o diagnóstico, especialmente em recém-nascidos de alto risco ou com sinais inconclusivos no exame físico.
– Ultrassonografia do Quadril
- A ultrassonografia é o exame de escolha para recém-nascidos, especialmente até o sexto mês de vida.
- Permite avaliar diretamente a formação do acetábulo e a posição da cabeça do fêmur.
- Classificação de Graf: Método de maior acurácia e amplamente utilizado para avaliar o desenvolvimento do quadril.
- Tipo I: Quadril normal.
- Tipo II: Quadril displásico, porém centralizado.
- Tipo D, III e IV: Quadril displásico descentralizado, subluxado e luxado.
– Radiografia
- A radiografia é mais útil a partir dos 6 meses de idade, quando a cabeça do fêmur começa a se ossificar, tornando-se visível na radiografia.
- Avalia o desenvolvimento acetabular e a posição do fêmur.
- Linhas importantes na radiografia: linha de Shenton (contorno da borda superior do forame obturador que deve ser contínua com o colo femoral) e ângulo acetabular (medido para avaliar a cobertura acetabular).
Quando procurar ajuda médica?
Para diagnosticar corretamente a displasia do desenvolvimento do quadril (DDQ), é importante procurar ajuda nos seguintes momentos:
Logo após o nascimento: O exame físico neonatal deve ser feito nas primeiras 48 horas de vida, e é essencial em bebês com fatores de risco (história familiar, parto pélvico, entre outros). Vale ressaltar que o exame físico negativo não significa ausência de DDQ.
Primeira consulta pediátrica: Reavaliação do quadril nas primeiras semanas. Se houver suspeita clínica ou fatores de risco, deve ser solicitada uma ultrassonografia do quadril infantil pelo método de Graf.
Sinais clínicos observados pelos pais: Assimetria nas dobras das pernas, limitação ao abrir as pernas, uma perna parecer mais curta, mancar ou dificuldade para caminhar são sinais de alerta.
Ultrassonografia de controle: A ultrassonografia do quadril infantil pelo método de Graf é indicada ser realizada, por profissionais treinados e habilitados, até 3 semanas de vida para todos os bebês com fatores de risco, mesmo sem sinais clínicos. A frequência das avaliações ultrassonográficas durante o tratamento depende da gravidade da DDQ, o ortopedista precisa avaliar a evolução.
Após os 6 meses: Atenção a sinais como atraso na marcha, claudicação ou dor. Radiografias podem ser usadas a partir dessa idade.
A detecção precoce é importante para um bom prognóstico e evitar complicações futuras.
A Dra. Giovanna estuda Displasia do Desenvolvimento do Quadril há mais de 20 anos, realizando ultrassonografia do quadril infantil pelo método de Graf. Fez vários cursos, inclusive fora do Brasil e com o Professor Graf quem desenvolveu a técnica. Acredita por estudos e pesquisas que realizou, que esse é o método de maior acurácia para a DDQ. Se destaca pela experiência no método, pela forma com que respeita e cuida do paciente com DDQ, e pela seriedade que encaro essa doença.



