
Dicas para o bem-estar do quadril infantil
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26/05/2025Entenda a diferença entre luxação congênita do quadril e displasia do quadril
Neste artigo, vamos entender de forma simples e clara qual é a diferença entre luxação congênita do quadril e displasia do quadril, dois termos que muitas vezes causam confusão, mas que indicam condições diferentes — embora relacionadas — do desenvolvimento do quadril. Leia mais!

O que é a displasia do quadril?
A displasia do desenvolvimento do quadril (DDQ), ou simplesmente displasia do quadril, é um termo usado para descrever uma formação anormal da articulação do quadril. Ela pode variar desde uma instabilidade leve até uma luxação completa.
Imagine que o quadril é como uma “bola dentro de uma concha”: a cabeça do fêmur (a “bola”) precisa estar bem encaixada no acetábulo (a “concha” do osso do quadril). Na displasia, essa “concha” pode ser rasa ou malformada, dificultando o encaixe correto da articulação.
E a luxação congênita do quadril?
A luxação congênita do quadril é um caso mais grave dentro do espectro da displasia. Aqui, a cabeça do fêmur já nasce fora da articulação, ou seja, já está deslocada no momento do nascimento.
Qual a principal diferença entre a luxação congênita e a DDQ?
A displasia do quadril é uma alteração no desenvolvimento da articulação do quadril, em que o encaixe entre o fêmur e o osso do quadril é imperfeito. Pode variar desde uma leve instabilidade até casos mais graves, mas nem sempre apresenta sintomas visíveis logo ao nascer.
Já a luxação congênita do quadril é uma forma mais grave dentro do espectro da displasia. Nesse caso, o bebê já nasce com o fêmur fora da articulação, o que exige tratamento imediato para evitar complicações no desenvolvimento motor.
A diferença principal entre as duas está na gravidade: enquanto a displasia indica uma articulação malformada ou instável, a luxação é quando o osso já está deslocado ao nascer. Ambas precisam de acompanhamento especializado, mas a luxação tende a exigir intervenções mais rápidas.
Sintomas da luxação congênita do quadril
A luxação congênita do quadril muitas vezes não causa dor nos primeiros meses de vida, o que pode dificultar a identificação precoce sem avaliação médica. Por isso, é essencial estar atento a alguns sinais que podem indicar o problema:
- Assimetria nas pernas: uma perna pode parecer mais curta que a outra.
- Dobra das coxas/desigual: as dobrinhas nas coxas ou nádegas podem estar em posições diferentes.
- Dificuldade para movimentar uma das pernas: ao trocar a fralda, por exemplo, o bebê pode apresentar resistência ou limitação para abrir uma das pernas.
- Estalido ou clique: durante o exame físico, o médico pode perceber um som de “clique” ao movimentar o quadril do bebê, sinal de que há instabilidade ou deslocamento.
- Marcha alterada (em crianças que já andam): em casos mais tardios, a criança pode apresentar uma marcha mancando ou andar com os pés para fora.
Como é feito o diagnóstico da luxação congênita do quadril?
O diagnóstico da luxação congênita do quadril, ou displasia do quadril, é feito por meio de uma avaliação clínica e exames de imagem, especialmente nos primeiros meses de vida. Entenda os principais passos:
– Exame físico logo após o nascimento
Nos primeiros dias de vida, o pediatra realiza testes clínicos como:
- Teste de Ortolani: verifica se a cabeça do fêmur pode ser recolocada no lugar, indicando instabilidade na articulação.
- Teste de Barlow: avalia se o quadril pode ser deslocado com uma leve pressão, sinalizando risco de luxação.
Esses testes são indolores e fazem parte do exame neonatal de rotina. O ideal é que sejam repetidos nas consultas de puericultura durante os primeiros meses de vida.
– Exames de imagem
Se houver suspeita nos exames clínicos, o médico solicitará exames complementares, como:
- Ultrassonografia de quadril (até os 6 meses): é o exame mais indicado para bebês pequenos, pois a articulação ainda não está totalmente ossificada.
- Radiografia (após os 6 meses): usada quando os ossos já estão mais desenvolvidos, permitindo uma visualização mais clara das estruturas ósseas.
Esses exames confirmam o grau da displasia ou a presença de luxação.
Cuidados após os exames para luxação congênita do quadril
Após a realização dos exames clínicos e de imagem, como a ultrassonografia de quadril ou a radiografia, os cuidados vão depender do resultado e da gravidade da condição. Mas, independentemente do diagnóstico, é importante que os pais estejam atentos a algumas orientações importantes.
Se o exame for normal…
Quando os exames indicam que não há displasia ou luxação, o acompanhamento segue normalmente com o pediatra nas consultas de rotina. Ainda assim, é essencial:
- Continuar observando a simetria das perninhas e o desenvolvimento motor do bebê.
- Evitar uso excessivo de carregadores ou dispositivos que mantenham as pernas muito juntas (como alguns slings apertados).
- Incentivar posições que favoreçam o bom desenvolvimento do quadril, como deixar o bebê em posição “raninha” ao ser carregado, com as perninhas levemente afastadas.
Se for confirmada displasia ou luxação…
Quando há diagnóstico de displasia ou luxação, o tratamento costuma começar rapidamente. Os cuidados incluem:
- Uso correto da órtese indicada (como o Suspensório de Pavlik): ela deve ser usada o tempo todo, conforme orientação do ortopedista. É normal que os pais tenham receio, mas o uso adequado faz toda a diferença.
- Manutenção da higiene: trocas de fralda devem ser feitas com cuidado, sem retirar o dispositivo (a menos que o médico permita).
- Evitar forçar movimentos: não tente esticar as pernas do bebê, pois isso pode comprometer o tratamento.
- Retorno aos exames e consultas: é fundamental seguir o cronograma de acompanhamento com exames de controle, para verificar se o quadril está se desenvolvendo corretamente.
- Orientação com fisioterapeuta, quando indicado: pode ser útil para auxiliar no desenvolvimento motor durante ou após o uso da órtese.
A Dra. Giovanna Braga Motta é médica com ampla formação em Pediatria, Neonatologia e Ultrassonografia, com especialização em ultrassonografia pediátrica. Possui mestrado, doutorado e pós-doutorado pela UNIFESP, com foco no diagnóstico da Displasia do Desenvolvimento do Quadril (DDQ) em bebês, por meio do método de Graf — técnica que domina desde 1995, com aperfeiçoamento direto com o próprio criador do método na Europa.
Com mais de 20 anos de experiência e dedicação exclusiva à saúde do quadril infantil, alia ciência, precisão diagnóstica e acolhimento no atendimento. Seu propósito é transformar a vida dos pequenos pacientes com diagnósticos precoces, seguros e baseados em evidências.



