
Os principais sinais de que seu filho pode estar com displasia do quadril
16/04/2025
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16/04/2025Exercícios recomendados para crianças com displasia do quadril
A displasia do desenvolvimento do quadril (DDQ) acontece quando a articulação do quadril da criança não se forma corretamente. Em vez da cabeça do fêmur se encaixar perfeitamente na cavidade do osso do quadril (acetábulo), ela pode estar desalinhada ou até fora do lugar. Isso pode causar instabilidade e, se não for tratado adequadamente, levar a problemas na marcha ou dores ao longo da vida.
Entenda quais os exercícios recomendados para crianças com displasia do quadril, quais exercícios devem ser evitados, a importância do diagnóstico e demais fatores, neste artigo. Confira!

Como acontece a displasia do quadril?
A displasia do desenvolvimento do quadril acontece quando o acetábulo — a cavidade onde a cabeça do fêmur se encaixa — é mais raso do que o ideal, dificultando esse encaixe e comprometendo a estabilidade da articulação. Diversos fatores podem aumentar o risco da condição, como predisposição genética, ação de hormônios maternos (como a relaxina), posição intrauterina desfavorável, especialmente em casos de bebês que ficam em apresentação pélvica e bebês da primeira gestação, que são os primeiros filhos.
Além disso, práticas inadequadas no manuseio do bebê, como o uso de carregadores que mantêm os quadris muito juntos, ou joelhos afastados, porém estendidos, também podem contribuir para o desenvolvimento da DDQ. Vale destacar que meninas apresentam maior predisposição, devido a características anatômicas e hormonais que influenciam na manutenção da cabeça do fêmur no acetábulo.
Quais os benefícios dos exercícios na DDQ?
Em crianças maiores existem os exercícios que ajudam a fortalecer os músculos que sustentam o quadril, melhorando a estabilidade da articulação. Isso é essencial para garantir que o quadril se mantenha bem encaixado durante o crescimento da criança.
Eles também contribuem para o desenvolvimento motor global, favorecendo movimentos como se sentar, engatinhar e andar com mais segurança e equilíbrio. Quanto mais cedo esses estímulos são iniciados, melhor é a adaptação do corpo.
Outro benefício importante é a prevenção de compensações musculares. Quando uma parte do corpo está mais fraca, outras tentam “compensar”, o que pode levar a má postura ou dores no futuro. Os exercícios regulares evitam esse tipo de problema.
Além disso, a prática regular de movimentos orientados por um profissional ajuda a criança a ganhar autonomia e confiança nos próprios movimentos, o que impacta diretamente no bem-estar físico e emocional. Por fim, os exercícios fazem parte da recuperação após o uso da órtese ou cirurgia, ajudando na reabilitação e retorno às atividades do dia a dia com mais naturalidade e segurança.
Exercícios recomendados para crianças com displasia do quadril
Sempre com orientação e acompanhamento de um profissional especializado:
Mobilizações suaves
- Objetivo: Manter a articulação do quadril móvel sem causar dor.
- Como fazer: Com o bebê deitado de costas, o responsável move suavemente as perninhas em direção ao tronco, como se estivesse pedalando.
Alongamentos passivos
- Objetivo: Melhorar a amplitude de movimento.
- Como fazer: Com o bebê deitado, faça movimentos leves de abertura das pernas, respeitando o limite da criança.
Fortalecimento de músculos do core e membros inferiores
- Para crianças maiores: Exercícios que estimulam o equilíbrio, como se sentar sobre uma bola de fisioterapia, agachamentos com apoio e subir degraus baixos.
Posicionamento adequado
- Carregar a criança com as perninhas em posição de “M” (como no uso correto de slings ou cangurus ergonômicos) favorece o encaixe natural do quadril.
Hidroterapia (fisioterapia na água)
- A água reduz o impacto e facilita os movimentos, sendo excelente para bebês e crianças pequenas com displasia.
Quais exercícios devem ser evitados?
Em casos de DDQ, é essencial evitar:
– Exercícios de impacto ou que forcem a abertura excessiva das pernas sem controle.
– Assentos rígidos e estreitos, como cadeirinhas e andadores que não respeitam a anatomia do quadril.
– Toda atividade deve ser feita com orientação especializada para não agravar a condição.
Como adaptar o dia a dia da criança com displasia do quadril?
A rotina da criança com displasia do quadril exige alguns cuidados simples, mas importantes. Devem ser evitados assentos que mantêm as pernas esticadas ou muito juntas, como certos carrinhos e cadeirinhas. Prefira opções que permitam os joelhos dobrados e afastados.
Carregadores ergonômicos, como slings e wraps, ajudam a manter a postura ideal, com as pernas na posição de “M”. Brincadeiras no chão também são ótimas aliadas no fortalecimento e desenvolvimento motor, desde que feitas em superfícies seguras.
É essencial variar as posições da criança ao longo do dia e observar sinais de desconforto. Com orientações corretas e estímulos adequados, é totalmente possível oferecer uma rotina segura e favorável ao tratamento.
A displasia do quadril pode causar dor?
Na fase inicial, a displasia geralmente não causa dor, o que torna o diagnóstico clínico ainda mais difícil. Se a condição não for tratada, aí sim pode gerar dor e limitação de movimentos na infância ou até na vida adulta.
E se a criança estiver usando órtese?
Se o pequeno estiver com órtese de Pavlik ou outro tipo de imobilização, os exercícios mudam completamente. Nesses casos, o foco é:
- Estimular o desenvolvimento motor dentro dos limites da órtese.
- Evitar posições que prejudiquem o encaixe do quadril.
A importância do diagnóstico precoce
Identificar a displasia do quadril nos primeiros meses de vida aumenta muito as chances de sucesso com tratamentos simples, como o uso da órtese de Pavlik. Consultas de rotina e exames como a ultrassonografia são essenciais para um diagnóstico rápido.
Quanto mais cedo o tratamento começa, menores os riscos de complicações e da necessidade de cirurgia. Já nos casos em que o diagnóstico é tardio, podem surgir alterações na marcha e tratamentos mais complexos.
Por isso, os pais devem ficar atentos a sinais como rigidez, assimetrias ou dificuldade de movimentar as pernas. Diante de qualquer dúvida, procurar o pediatra é o melhor caminho para garantir um futuro saudável para o quadril da criança.
A Dra. Giovanna Braga Motta é médica com ampla formação em Pediatria, Neonatologia e Ultrassonografia, com especialização em ultrassonografia pediátrica. Possui mestrado e doutorado pela UNIFESP, com foco no diagnóstico da Displasia do Desenvolvimento do Quadril (DDQ) em bebês, por meio do método de Graf — técnica que domina desde 1995, com aperfeiçoamento direto com o Professor Graf o desenvolvedor do método na Europa.
Com mais de 20 anos de experiência e dedicação exclusiva à saúde do quadril infantil, alia ciência, precisão diagnóstica e acolhimento no atendimento. Seu propósito é transformar a vida dos pequenos pacientes com diagnósticos precoces, assertivos e baseados em evidências.



