
Principais erros na ultrassonografia do quadril infantil e como evitá-los
02/07/2026
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02/07/2026Imaturidade do quadril em recém-nascidos: Quando é normal e quando é displasia
A imaturidade do quadril em recém-nascidos é uma condição relativamente comum nos primeiros meses de vida. Em muitos bebês, o encaixe entre a cabeça do fêmur e o acetábulo (a “cavidade” do quadril) ainda não está completamente desenvolvido ao nascimento, especialmente nas primeiras semanas de vida.
Na maioria dos casos, essa imaturidade representa apenas um atraso fisiológico do desenvolvimento e tende a se corrigir espontaneamente. Porém, em algumas situações, ela pode indicar um quadro de displasia do desenvolvimento do quadril (DDQ), condição que exige acompanhamento e, eventualmente, tratamento precoce.
Entender a diferença entre uma imaturidade transitória e uma displasia que necessita de tratamento é fundamental para evitar diagnósticos tardios e sequelas futuras. Leia esse artigo completo!

O que é a imaturidade do quadril no recém-nascido?
A imaturidade do quadril em recém-nascidos é uma condição relativamente comum nos primeiros meses de vida. Isso acontece porque a articulação do quadril ainda pode estar em fase de amadurecimento após o nascimento, especialmente em bebês prematuros ou muito pequenos. Em muitos casos, o encaixe entre a cabeça do fêmur e o acetábulo ainda não atingiu o desenvolvimento esperado para a idade.
Na maior parte das vezes, essa imaturidade é considerada fisiológica, ou seja, faz parte do desenvolvimento normal do bebê e melhora espontaneamente ao longo das semanas. Entretanto, em alguns recém-nascidos, a alteração pode representar um quadro de DDQ, situação que exige acompanhamento especializado e, em alguns casos, tratamento precoce.
Compreenda a displasia do desenvolvimento do quadril
A displasia do desenvolvimento do quadril é uma alteração da morfologia no encaixe da articulação do quadril. O acetábulo pode ser mais raso do que o normal, dificultando a estabilidade da cabeça do fêmur. Em casos mais importantes, pode ocorrer subluxação ou até luxação do quadril.
A gravidade da displasia varia bastante. Alguns bebês apresentam apenas discreta instabilidade, enquanto outros podem nascer com o quadril deslocado. O diagnóstico precoce e preciso é essencial porque o tratamento nos primeiros meses costuma apresentar excelentes resultados.
Quais são os fatores de risco?
Alguns fatores aumentam a chance de o bebê desenvolver displasia do quadril. A história familiar de displasia apresenta maior risco devido à influência genética. Bebês que nasceram em posição pélvica, especialmente sentados com as perninhas para cima, também têm maior probabilidade de apresentar alterações no quadril.
Outros fatores importantes incluem sexo feminino, primeira gestação, oligodrâmnio e deformidades associadas, como torcicolo congênito e pé torto congênito. Quando esses fatores estão presentes, o acompanhamento costuma ser mais cuidadoso.
Quando a imaturidade do quadril é considerada normal?
Nos primeiros meses de vida, especialmente antes das 12 semanas, é comum encontrar quadris classificados como “imaturo fisiológico” no ultrassom. Isso ocorre porque a articulação ainda está amadurecendo naturalmente fora do útero.
Características da imaturidade fisiológica
Em geral, a imaturidade fisiológica apresenta:
- Leve atraso no desenvolvimento do acetábulo;
- Quadril estável ao exame físico;
- Ausência de luxação;
- Ultrassom com pequenas alterações compatíveis com a idade;
- Tendência à normalização espontânea.
Nesses casos, o especialista costuma apenas acompanhar a evolução.
Quando a imaturidade pode indicar displasia?
Nem toda imaturidade se resolve espontaneamente. Por isso, há necessidade de acompanhamento do desenvolvimento da articulação, através da ultrassonografia do quadril pelo método de Graf. A suspeita de displasia aumenta quando existem sinais clínicos associados ou quando a alteração persiste além do período esperado.
Entre os principais sinais de alerta estão instabilidade ao exame físico, assimetria importante das pernas, limitação da abertura das coxas, estalidos anormais e persistência das alterações no ultrassom após os primeiros meses de vida. A presença de fatores de risco também aumenta a necessidade de investigação mais detalhada, com exames seriados de ultrassonografia.
Quais os exames necessários para diagnostica?
O diagnóstico começa com o exame físico realizado pelo pediatra ainda na maternidade e repetido durante as consultas de rotina. O médico utiliza manobras específicas, como Ortolani e Barlow, para avaliar a estabilidade do quadril.
Quando existe dúvida clínica ou fatores de risco, o ultrassom do quadril é o principal exame complementar nos primeiros meses de vida. Esse exame permite visualizar a articulação ainda cartilaginosa do bebê e identificar sinais de imaturidade ou displasia.
O que significa quadril tipo IIa no ultrassom?
Muitos pais ficam preocupados ao receber um laudo descrevendo “quadril tipo IIa”. Na maioria das vezes, essa classificação representa apenas uma imaturidade fisiológica do quadril em bebês pequenos.
Nessas situações, o especialista geralmente recomenda apenas acompanhamento clínico e repetição do ultrassom após algumas semanas. Grande parte desses casos evolui para normalização espontânea com o crescimento do bebê.
Todo recém-nascido precisa fazer ultrassom do quadril?
Todos os bebês deveriam realizar a ultrassonografia do quadril. Quando o exame físico é completamente normal, não exclui o risco de DDQ, por isso a necessidade de associar a ultrassonografia do quadril com o exame físico.
A ultrassonografia costuma ser indicado principalmente em recém-nascidos com apresentação pélvica, histórico familiar de displasia, exame físico suspeito ou outros fatores de risco relevantes no rastreamento seletivo. E em todos os recém nascidos quando realizamos o rastreamento universal. A decisão deve ser individualizada pelo pediatra, já que no Brasil não temos um protocolo de rastreamento.
Como os pais podem ajudar?
Os pais também podem contribuir para o desenvolvimento saudável do quadril do bebê. É importante evitar faixas ou roupas que mantenham as pernas excessivamente esticadas e fechadas. O ideal é permitir movimentação livre dos quadris.
O uso de carregadores adequados, que mantêm as pernas em posição aberta e flexionada, a famosa “perninhas em M”, também pode ajudar. Além disso, comparecer regularmente às consultas pediátricas permite identificar alterações precocemente.

A imaturidade do quadril em recém-nascidos é uma condição relativamente comum e, na maioria das vezes, representa apenas um atraso fisiológico transitório do amadurecimento da articulação. Muitos casos evoluem espontaneamente para normalidade sem necessidade de tratamento. Por outro lado, algumas crianças podem apresentar displasia do desenvolvimento do quadril, condição que exige diagnóstico precoce e acompanhamento especializado. A avaliação clínica cuidadosa, associada ao ultrassom quando indicado, permite diferenciar os casos fisiológicos daqueles que precisam de intervenção.
A Dra. Giovanna Braga Motta é especialista em ultrassonografia pediátrica, com foco nas alterações do quadril infantil, oferecendo um atendimento humanizado, preciso e voltado para diagnósticos altamente assertivos. Graduada pela Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública, realizou residência em Pediatria no Hospital Roberto Santos, em Salvador, e posteriormente se especializou em Ultrassonografia Pediátrica em São Paulo.
Possui tese de mestrado, doutorado e pós-doutorado dedicadas ao estudo da ultrassonografia do quadril para o diagnóstico da DDQ, sendo referência na área. Atualmente, atua como ultrassonografista pediátrica em consultório particular, oferecendo uma avaliação especializada, acolhedora e confiável para você e seu bebê.



