
Por que meninas têm maior risco de displasia do quadril do que meninos?
21/07/2025
Principais benefícios da ultrassonografia para a DDQ
21/07/2025Importância da ultrassonografia para um diagnóstico precoce
Entenda a importância da ultrassonografia infantil para um diagnóstico precoce, neste artigo. Leia mais!

O que é displasia de quadril?
A displasia do desenvolvimento do quadril (DDQ) é uma condição que afeta a morfologia da articulação entre a cabeça do fêmur (extremidade do osso da coxa) e a cavidade acetabular (estrutura do osso da bacia). Em termos simples, trata-se de um desencaixe da articulação do quadril, que pode variar desde um leve desalinhamento até uma luxação completa, quando a cabeça do fêmur se desloca totalmente para fora da articulação.
Quando não é diagnosticada e tratada nos primeiros meses de vida, a DDQ pode evoluir e causar consequências sérias, como:
- Dor crônica;
- Dificuldades para caminhar (claudicação);
- E até o desenvolvimento precoce de artrose no quadril, comprometendo a qualidade de vida na fase adulta.
Indicações da ultrassonografia de quadril
A ultrassonografia do quadril pelo método de Graf é fundamental para o diagnóstico precoce da displasia do desenvolvimento do quadril (DDQ), especialmente nos primeiros meses de vida. O exame deve ser realizado, preferencialmente, entre a 3ª e a 6ª semana de vida, mesmo em bebês assintomáticos, pois alterações podem estar presentes antes de qualquer sinal clínico. Em diversos países, essa triagem é realizada rotineiramente, devido à sua comprovada eficácia na redução de complicações e cirurgias futuras associadas à DDQ.
A ultrassonografia do quadril pelo método de Graf é ainda mais indicada na presença de fatores de risco, como:
- Histórico familiar de displasia;
- Apresentação pélvica (bebês sentados no útero, especialmente no final da gestação);
- Gestações múltiplas;
- Alterações ortopédicas congênitas ou presença de síndromes genéticas associadas a distúrbios do desenvolvimento articular.
O exame também é fortemente recomendado a realização imediata diante de sinais clínicos sugestivos, como:
- Limitação na abdução das pernas;
- Assimetria das dobras cutâneas (coxas ou glúteos);
- Estalidos ou cliques durante a mobilização do quadril, percebidos nos testes clínicos de Ortolani e Barlow.
Além do diagnóstico inicial, a ultrassonografia desempenha um papel essencial no acompanhamento do tratamento, permitindo a avaliação da resposta ao uso de órteses corretivas (como o Suspensório de Pavlik) e à evolução clínica, com segurança e precisão, sem exposição à radiação.
Como é a realização da ultrassonografia?
A ultrassonografia do quadril é um exame rápido, indolor e não invasivo, realizado com o bebê confortavelmente posicionado em decúbito lateral sobre um berço posicionador apropriado. O procedimento não requer preparo prévio, o que o torna tranquilo e bem aceito tanto pela criança quanto pelos pais.
Durante o exame, o profissional aplica um gel aquecido sobre a região do quadril, facilitando a condução das ondas sonoras. Em seguida, com movimentos suaves e controlados, o transdutor é deslizado sobre a pele para captar imagens detalhadas da articulação do quadril. Essas imagens permitem uma análise precisa da morfologia e do desenvolvimento articular, de acordo com os critérios do método de Graf.
O grande diferencial da ultrassonografia está na sua capacidade de visibilizar estruturas ainda em formação, como as cartilagens e tecidos moles, que não são adequadamente observados em exames como a radiografia convencional. Isso a torna o método de escolha para a avaliação do quadril nos primeiros meses de vida, fase em que o diagnóstico precoce é decisivo para o sucesso do tratamento.

É preciso ter cuidados específicos após a ultrassonografia?
Após a realização da ultrassonografia do quadril, não são necessários cuidados especiais. Trata-se de um exame extremamente seguro, que não utiliza radiação e é totalmente indolor, permitindo que o bebê retome imediatamente sua rotina normal, incluindo alimentação, amamentação, banho e sono, sem qualquer restrição.
O procedimento é realizado com o uso de um gel condutor aquecido e um transdutor que desliza suavemente sobre a pele, sem provocar dor ou desconforto. Não há necessidade de repouso, uso de medicamentos ou orientações adicionais após o exame.
Em alguns casos, especialmente se o bebê estiver mais agitado ou chorando durante o procedimento, é possível que ele fique ligeiramente sensível ou cansado após o exame. Nessas situações, um ambiente tranquilo, o aconchego dos pais e o retorno à rotina habitual costumam ser suficientes para restabelecer seu bem-estar rapidamente.
O que pode ser avaliado no exame?
Durante a ultrassonografia do quadril, o médico avalia diversos aspectos fundamentais da articulação, com o objetivo de identificar precocemente possíveis alterações no desenvolvimento. Dentre os principais elementos observados, destacam-se:
– O formato e a profundidade da cavidade acetabular, onde a cabeça do fêmur deve se encaixar de forma estável e adequada;
– O posicionamento e o alinhamento da cabeça do fêmur dentro da articulação, verificando se há centralização ou sinais de instabilidade;
– A relação entre as estruturas ósseas e os tecidos moles que compõem e sustentam a articulação do quadril;
– As medições angulares, obtidas por meio do método de Graf, que permitem classificar o grau de maturidade ou displasia da articulação com base em parâmetros objetivos.
Essas informações são essenciais para o diagnóstico precoce da displasia, orientando a definição da conduta mais adequada, seja apenas o acompanhamento clínico ou a intervenção terapêutica imediata, quando necessário.
O que o Método Graf pode oferecer de diferencial na ultrassonografia?
A ultrassonografia do quadril realizada pelo método de Graf é um exame de imagem amplamente utilizado no estudo da morfologia do quadril para avaliar o desenvolvimento articular de recém-nascidos e lactentes. Seu principal objetivo é identificar alterações morfológicas da articulação precocemente que possa comprometer a congruência entre a cabeça do fêmur e o osso da bacia, permitindo o diagnóstico e o tratamento da DDQ antes que ela cause consequências mais sérias.
Desenvolvido pelo médico austríaco Reinhard Graf, o método ganhou destaque por sua alta padronização e reprodutibilidade, o que garante a confiabilidade da avaliação. Ele utiliza medidas angulares bem definidas, analisadas com base em critérios técnicos rigorosos, o que torna possível classificar o quadril analisando até mesmo pequenas alterações que poderiam passar despercebidas em exames físicos isolados. Por isso, é amplamente adotado como referência no rastreamento neonatal da displasia em diversos países na Europa.
A Dra. Giovanna Braga Motta é especialista em ultrassonografia pediátrica, com ênfase em alterações no quadril infantil, oferecendo um atendimento humanizado, cuidadoso e preciso para garantir diagnósticos assertivos. Graduada pela Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública, realizou residência em Pediatria no Hospital Roberto Santos, em Salvador, e especializou-se em Ultrassonografia em São Paulo. Com tese de mestrado, doutorado e pós doc em ultrassonografia do quadril para diagnóstico da DDQ. Atualmente, atua como ultrassonografista pediátrica em seu consultório particular, pronta para oferecer o diagnóstico especializado que você e seu bebê precisam.



