
Diagnóstico de displasia de quadril: Exames indicados
17/06/2025
Importância da ultrassonografia para um diagnóstico precoce
21/07/2025Por que meninas têm maior risco de displasia do quadril do que meninos?
A displasia do desenvolvimento do quadril (DDQ) é mais comum em meninas do que em meninos, e isso se deve principalmente a fatores hormonais e anatômicos que influenciam o desenvolvimento das articulações.
Entenda por que meninas têm maior risco de displasia do quadril do que meninos, neste artigo. Leia mais!

Principais motivos porque meninas tem maior risco de DDQ
1. Sensibilidade ao hormônio relaxina
- Durante a gestação, a mãe produz relaxina, um hormônio que ajuda a relaxar os ligamentos pélvicos para facilitar o parto.
- As meninas são mais sensíveis à relaxina do que os meninos. Esse hormônio pode afrouxar não apenas os ligamentos da mãe, mas também afetar os ligamentos do feto, incluindo os que estabilizam o quadril.
- Esse afrouxamento nos ligamentos pode deixar a articulação do quadril mais instável nas meninas.
2. Anatomia e maturação
- As meninas tendem a ter desenvolvimento ligamentar e articular um pouco diferente dos meninos, com maior flexibilidade e menor estabilidade inicial.
- Essa maior laxidão articular torna o quadril mais suscetível a sair da posição correta (subluxação ou luxação), especialmente se houver outros fatores de risco (como apresentação pélvica no útero).
3. Fatores genéticos e familiares
- A DDQ tem forte componente hereditário, e meninas com história familiar positiva estão em maior risco.
- Estudos mostram que se uma menina tem um parente de primeiro grau com DDQ, o risco aumenta consideravelmente.
4. Estatísticas e dados clínicos
- A DDQ afeta cerca de 4 a 10 vezes mais meninas do que meninos.
- Isso é bem documentado em estudos populacionais e é uma das razões pelas quais o rastreamento neonatal do quadril é mais atento no sexo feminino.
Outros fatores que aumentam o risco em ambos os sexos, mas contribuem mais nas meninas
- Apresentação pélvica (bebê sentado no útero);
- Primogênitas (primeira gestação o útero é mais apertado);
- Oligoidrâmnio (pouca quantidade de líquido amniótico);
- Uso excessivo de faixas ou mantas que mantêm os joelhos juntos e as pernas estendidas.
Influência hormonal na displasia de quadril
Os hormônios desempenham um papel importante no desenvolvimento da displasia do quadril, especialmente durante a gestação. Entre eles, destaca-se a relaxina, um hormônio produzido pela mãe com a função de afrouxar os ligamentos da pelve para facilitar o parto.
No entanto, a relaxina também atravessa a barreira placentária e pode afetar o feto, especialmente se ele for do sexo feminino. Estudos mostram que as meninas são mais sensíveis à ação desse hormônio, o que contribui para uma maior frouxidão ligamentar nas articulações, incluindo a do quadril. Essa instabilidade natural pode favorecer o deslocamento parcial ou total da cabeça do fêmur em relação ao acetábulo, contribuindo para o desenvolvimento da DDQ.
Além da relaxina, outros hormônios como os estrogênios fetais também podem influenciar a elasticidade dos tecidos, reforçando a tendência à instabilidade articular nas meninas durante o período neonatal.
Essa influência hormonal ajuda a explicar por que a displasia é cerca de 4 a 10 vezes mais frequente em meninas do que em meninos, e destaca a importância de um rastreamento cuidadoso nos recém-nascidos do sexo feminino, especialmente quando há outros fatores de risco associados.
Principais causas da displasia de quadril
A displasia do desenvolvimento do quadril (DDQ) não tem uma causa única, mas resulta da combinação de diversos fatores. Entre eles, o fator mecânico se destaca como o principal responsável pela instabilidade articular que caracteriza a condição. Muitas vezes, a displasia se desenvolve devido a situações específicas durante a gestação ou nos primeiros meses de vida. Conhecer esses fatores de risco é essencial para promover um diagnóstico precoce e eficaz.
Quais os principais fatores de risco?
- Histórico familiar: Crianças com pais ou irmãos que tiveram DDQ apresentam risco significativamente aumentado, o que reforça a teoria da predisposição genética.
- Apresentação pélvica (de nádegas): Bebês que passam parte significativa da gestação nessa posição têm maior probabilidade de desenvolver displasia, devido à pressão exercida sobre os quadris.
- Primogênitos: Na primeira gestação, o útero tende a ser mais rígido, o que pode limitar os movimentos fetais e prejudicar o desenvolvimento articular.
- Pouco espaço intrauterino: Situações como gestações múltiplas ou oligodrâmnio (redução da quantidade do líquido amniótico) dificultam os movimentos do feto, impactando negativamente a formação do quadril.
- Alterações ortopédicas associadas: Condições como torcicolo congênito e pé torto congênito são frequentemente observadas associadas a DDQ, e devem servir de alerta para investigação mais aprofundada.
Exames indicados para um diagnóstico seguro
O diagnóstico precoce da displasia do desenvolvimento do quadril (DDQ) é fundamental para prevenir complicações a longo prazo, como dor crônica, alterações na marcha e até artrose precoce. Por isso, o processo diagnóstico deve envolver tanto a avaliação clínica direcionada quanto exames de imagem específicos, capazes de confirmar ou afastar a suspeita.
Desde os primeiros dias de vida, o médico realiza testes clínicos específicos, como as manobras de Ortolani e de Barlow, com o objetivo de avaliar a estabilidade da articulação do quadril. Essas manobras são projetadas para identificar sinais iniciais de luxação e/ou instabilidade, sendo parte essencial do rastreamento neonatal da displasia do quadril.
Nas primeiras semanas de vida, o exame de imagem mais indicado é a ultrassonografia do quadril infantil pelo método de Graf. Essa técnica é segura, indolor e não invasiva, permitindo visualizar com detalhes a estrutura articular mesmo enquanto a articulação é formada em sua maioria por cartilagem. A ultrassonografia é especialmente útil até o sexto mês de vida, período em que a ossificação ainda não é suficiente para avaliação radiográfica adequada.
A partir dos 6 meses de idade, quando a cabeça do fêmur já apresenta maior grau de calcificação, a radiografia do quadril passa a ser o exame de escolha. O raio-X da bacia permite uma análise da anatomia óssea e da posição da cabeça femoral em relação ao acetábulo, contribuindo para o diagnóstico da displasia em casos suspeitos, que não tiveram o diagnóstico precoce.

A Dra. Giovanna Braga Motta é especialista em ultrassonografia pediátrica, com dedicação especial a alterações no quadril infantil, oferecendo um atendimento cuidadoso e preciso para garantir diagnósticos assertivos. Graduada pela Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública, realizou residência em Pediatria no Hospital Roberto Santos, em Salvador, e especializou-se em Ultrassonografia em São Paulo. Com tese de mestrado, doutorado e pós doc em ultrassonografia do quadril pelo método de Graf. Atualmente, atua como ultrassonografista pediátrica em seu consultório particular, pronta para oferecer o diagnóstico preciso e especializado que você e seu bebê precisam.



