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10/06/2025Posições seguras para carregar o bebê e evitar displasia do quadril
Nos primeiros meses de vida, o corpo do bebê está em pleno desenvolvimento e o quadril, por ser uma articulação delicada, merece atenção especial. A displasia do desenvolvimento do quadril (DDQ) é uma condição que pode surgir quando a articulação entre o fêmur e o osso do quadril não se forma corretamente.
A boa notícia é que, com alguns cuidados simples no dia a dia, é possível prevenir esse problema. Uma das formas mais eficazes de proteção está justamente na maneira como carregamos o bebê. Continue lendo para saber mais!

Quais as posições seguras para carregar o bebê?
As posições seguras para carregar o bebê são aquelas que respeitam a anatomia em desenvolvimento da criança, especialmente o quadril e a coluna, e que proporcionam conforto tanto para o bebê quanto para o cuidador. Uma posição inadequada, por outro lado, pode aumentar o risco de problemas como a displasia do quadril. As principais posições recomendadas incluem:
1. Posição vertical
Essa é a posição mais recomendada nos primeiros meses de vida. O bebê fica ereto, de frente para o adulto, com:
- Coluna em forma de “C”, respeitando sua curvatura natural.
- Pernas em “M”: joelhos mais altos que o bumbum e abertos, como um “sapinho”.
- Cabeça apoiada no peito do cuidador, sem inclinar para trás ou para frente.
Essa posição favorece o contato pele a pele, a amamentação e o desenvolvimento saudável do quadril.
2. Posição de berço (horizontal, como no colo)
Pode ser usada para recém-nascidos, principalmente durante a amamentação. No entanto, é importante:
- Garantir que as vias respiratórias estejam livres.
- Evitar que o queixo do bebê encoste no peito.
- Usar apenas por períodos curtos e sempre sob supervisão.
Essa posição não é a mais indicada para longos períodos de transporte no sling, pois não favorece tanto o suporte ao quadril e à coluna como a posição vertical.
3. Posição de lado (de frente para o cuidador)
Ideal para bebês com refluxo ou para variar o posicionamento, essa posição permite que o bebê fique de ladinho, com as pernas ainda em posição de “M”. Deve ser usada com cuidado para manter a coluna bem apoiada e a cabeça elevada.
4. Nas costas (para bebês maiores de 6 meses)
Quando o bebê já tem bom controle de tronco e pescoço (geralmente a partir dos 6 meses), é possível carregá-lo nas costas usando um carregador ergonômico. Essa posição:
- Libera ainda mais o movimento dos braços do cuidador.
- É confortável para o bebê que já quer explorar o ambiente.
- Deve manter a posição de “M” e coluna bem apoiada.
Como essas posições podem evitar a displasia?
Carregar o bebê de forma segura é fundamental não só para o conforto e vínculo entre pais e filhos, mas também para prevenir problemas ortopédicos, como a displasia do quadril. Essa condição ocorre quando a articulação do quadril do bebê não se forma corretamente, o que pode causar instabilidade e, em casos mais graves, levar a complicações a longo prazo. Felizmente, com alguns cuidados simples, é possível reduzir bastante esse risco.
Por que a posição é tão importante?
Nos primeiros meses de vida, o quadril do bebê ainda está em formação, com ossos e articulações mais moles e flexíveis. Se o quadril for forçado a ficar numa posição inadequada por longos períodos, como pernas esticadas e juntas, isso pode prejudicar o desenvolvimento natural da articulação.

O que é indicado evitar?
O quadril do bebê é uma estrutura delicada e ainda em formação, por isso, alguns hábitos comuns do dia a dia podem atrapalhar e até prejudicar o desenvolvimento saudável. Entre os principais cuidados que devem ser evitados estão:
Enfaixar as pernas do bebê com pano ou fraldas apertadas: Parece coisa do passado, mas ainda acontece em muitas famílias. Enrolar o bebê com as pernas esticadas e presas pode afastar a cabeça do fêmur do acetábulo prejudicando a formação natural do quadril, favorecendo o desenvolvimento de displasia do quadril.
Usar bebê conforto ou carrinho por longos períodos: Esses equipamentos são úteis, sim, mas devem ser usados com moderação. Quando a criança passa muito tempo neles, acaba ficando com o quadril numa posição inadequada, limitando a movimentação.
Utilizar sling ou canguru não ergonômico: Muitos pais adoram carregar seus bebês em slings ou cangurus, o que pode ser ótimo! Mas é fundamental que o acessório seja ergonômico e posicione o bebê com os joelhos mais altos que o bumbum e as pernas afastadas.
Ignorar assimetrias no corpo do bebê: Notou uma perna mais curta, dobrinhas diferentes nas coxas ou um lado do quadril que parece mais limitado nos movimentos? Isso não deve ser ignorado.
Uso de cadeirinha e meios de transporte
A posição do bebê em dispositivos de transporte, como cadeirinhas de carro, pode influenciar indiretamente o desenvolvimento do quadril, se for utilizado por longo tempo, embora nem sempre esteja diretamente relacionada à displasia do desenvolvimento do quadril (DDQ).
O mais importante é garantir que o bebê esteja corretamente posicionado, respeitando tanto a ergonomia quanto as recomendações de segurança desses equipamentos. Assim, é possível promover conforto, proteção e evitar posturas prolongadas que possam limitar os movimentos naturais da articulação do quadril, especialmente nos primeiros meses de vida.
Por que usar o sling?
O sling é muito mais do que um acessório: é um verdadeiro aliado na rotina dos pais e no desenvolvimento saudável do bebê. Seu uso adequado oferece uma série de benefícios, tanto emocionais quanto físicos. Os principais incluem:
- Conforto e segurança: O bebê permanece coladinho ao corpo do cuidador, sentindo o calor, o cheiro e os batimentos cardíacos — tudo isso cria um ambiente acolhedor que lembra o útero materno e transmite segurança.
- Fortalecimento do vínculo afetivo: O contato próximo estimula o vínculo entre bebê e cuidador, favorecendo o desenvolvimento emocional e promovendo uma sensação constante de acolhimento.
- Mais praticidade no dia a dia: Com as mãos livres, é possível realizar tarefas simples, como preparar uma refeição ou responder mensagens, sem deixar de atender às necessidades do bebê.
- Amamentação com mais liberdade: Muitos modelos de sling facilitam a amamentação de forma discreta, oferecendo conforto para mãe e bebê, especialmente fora de casa.
- Desenvolvimento postural saudável: Quando bem ajustado, o sling mantém o bebê em uma posição ergonômica, com as perninhas em “M” e a coluna levemente curvada, o que contribui para o bom desenvolvimento do quadril e da coluna, ajudando na prevenção da displasia.
Como saber se está tudo certo?
Fique atento a sinais como:
– Um lado do quadril parece menos móvel que o outro.
– Assimetria nas dobrinhas das pernas.
– Estalos ao movimentar as perninhas.
Se notar qualquer um desses sinais, ou tiver dúvidas, o ideal é conversar com o pediatra ou ortopedista pediátrico. Exames de rotina como o ultrassom do quadril ajudam a diagnosticar precocemente a displasia.
Garantir a saúde do quadril infantil não exige grandes mudanças na rotina, na verdade, são os pequenos cuidados diários que fazem toda a diferença. Com o acompanhamento adequado e uma atenção especial à postura e aos movimentos do bebê, é possível prevenir problemas mais sérios e contribuir para um crescimento saudável, livre de desconfortos e limitações futuras.
A Dra. Giovanna Braga Motta é médica com ampla formação em Pediatria, Neonatologia e Ultrassonografia, com especialização em ultrassonografia pediátrica. Possui mestrado e doutorado pela UNIFESP, com foco no diagnóstico da Displasia do Desenvolvimento do Quadril (DDQ) em bebês, por meio do método de Graf — técnica que domina desde 1995, com aperfeiçoamento direto com o Professor Graf o criador do método na Europa.
Com mais de 20 anos de experiência e dedicação exclusiva à saúde do quadril infantil, alia ciência, precisão diagnóstica e acolhimento no atendimento. Seu propósito é transformar a vida dos pequenos pacientes com diagnósticos precoces, assertivos e baseados em evidências.



