
Imaturidade do quadril em recém-nascidos: Quando é normal e quando é displasia
02/07/2026
Fatores de risco para displasia do quadril infantil e papel da ultrassonografia
17/07/2026Quando solicitar ultrassonografia de quadril em recém-nascidos?
A ultrassonografia de quadril em recém-nascidos é um exame fundamental para identificar precocemente alterações no desenvolvimento da articulação do quadril, especialmente a displasia do desenvolvimento do quadril (DDQ). Embora não se tenha no Brasil um protocolo definido de rastramento da DDQ, algumas situações exigem investigação mais cuidadosa para evitar diagnóstico tardio e possíveis complicações futuras.
Muitos pais ficam em dúvida sobre quando o ultrassom realmente é necessário, qual o momento ideal para realizá-lo e quais sinais devem chamar atenção. Entenda nesse artigo, essas indicações para ajudar a garantir um acompanhamento adequado nos primeiros meses de vida.

O que é a displasia do desenvolvimento do quadril?
A displasia do desenvolvimento do quadril é uma alteração na formação da articulação do quadril do bebê. O acetábulo, que funciona como a “cavidade” onde encaixa a cabeça do fêmur, pode ser raso para manter a cabeça do fêmur estável, dificultando o encaixe adequado.
Em casos leves, existe apenas imaturidade da articulação. Já nas formas mais importantes, pode ocorrer subluxação ou luxação do quadril. O diagnóstico precoce é essencial porque o tratamento nos primeiros meses costuma apresentar melhores resultados e menor necessidade de procedimentos invasivos.
Todo recém-nascido precisa fazer ultrassonografia de quadril?
A maioria dos recém-nascidos deve ser submetida à ultrassonografia do quadril, mesmo quando apresenta exame físico normal e não possui fatores de risco conhecidos para Displasia do Desenvolvimento do Quadril (DDQ). Isso porque nem todas as alterações são identificadas apenas pelo exame clínico, e o diagnóstico precoce é fundamental para aumentar as chances de sucesso do tratamento.
Portanto, o exame obrigatoriamente deve ser realizado em todos os bebês que apresentam alterações clínicas suspeitas ou fatores associados ao aumento do risco de displasia do quadril. Nesses casos, a ultrassonografia funciona como uma ferramenta fundamental para confirmar ou afastar alterações da articulação.
Quais são as principais indicações da ultrassonografia de quadril?
Atualmente no Brasil, a ultrassonografia é mais frequentemente indicada quando existem fatores de risco importantes ou alterações detectadas durante o exame físico neonatal.
Bebê em apresentação pélvica
A apresentação pélvica é uma das indicações mais importantes para realização do exame. Bebês que permaneceram sentados no útero, especialmente no final da gestação, apresentam maior risco de desenvolver displasia do desenvolvimento do quadril. Mesmo quando o exame físico é normal, é necessário a realização da ultrassonografia nesses casos devido ao aumento do risco.
Histórico familiar de displasia do quadril
Recém-nascidos com familiares de primeiro grau que tiveram displasia do quadril possuem maior chance de apresentar a condição. Quando existe histórico familiar positivo, o pediatra deve solicitar ultrassonografia do quadril pelo método de Graf, mesmo na ausência de sinais clínicos evidentes.
Alterações no exame físico
Durante as consultas, o pediatra avalia a estabilidade do quadril utilizando manobras específicas, como Ortolani e Barlow. Além dessas manobras, alguns achados aumentam a suspeita de displasia:
- Limitação da abertura das pernas;
- Assimetria das pregas glúteas e das coxas;
- Estalidos articulares suspeitos;
- Diferença no comprimento dos membros inferiores.
Quando essas alterações estão presentes, a ultrassonografia costuma ser indicada.
Sexo feminino
Meninas apresentam maior risco de displasia do quadril devido à influência hormonal materna durante a gestação. Embora o sexo feminino, isoladamente, nem sempre justifique o exame, ele aumenta a atenção quando associado a outros fatores de risco.
Deformidades ortopédicas associadas
Algumas alterações ortopédicas podem ocorrer junto com displasia do quadril, como:
- Torcicolo congênito;
- Pé torto congênito;
- Fatores mecânicos que limitem as movimentações do feto durante a gestação.
Nessas situações, a investigação do quadril é recomendada.
Qual o momento ideal para fazer a ultrassonografia?
O período ideal geralmente fica entre 4 e 6 semanas de vida. Quando o exame é realizado muito precocemente, especialmente antes de 4 semanas, pode beneficiar os bebês com displasia do quadril nas formas mais graves.
Por isso, muitos especialistas sugerem a realização do exame entre 3 e 4 semanas de vida, diagnósticos e tratamentos tardios. Entretanto, quando existe forte suspeita clínica de instabilidade ou luxação, o exame pode ser realizado logo ao nascimento.
O que significa quadril imaturo no ultrassom?
Um dos achados mais comuns no exame é o chamado “quadril imaturo”, frequentemente classificado como tipo IIa.
Na maioria das vezes, especialmente em bebês pequenos, isso representa apenas atraso fisiológico do amadurecimento da articulação e não necessariamente essa criança vai precisar de tratamento.
Nesses casos, o médico geralmente opta por acompanhamento clínico e repetição do exame após algumas semanas para observar a evolução natural do quadril.
Como é feito o exame para diagnosticar?
A ultrassonografia do quadril é um exame simples, indolor e livre de radiação. Durante o procedimento, o bebê permanece confortavelmente posicionado de lado em um berço posicionador, enquanto o médico realiza a avaliação utilizando um transdutor apoiado sobre a região dos quadris.
O exame permite analisar detalhadamente a anatomia da articulação, avaliar a cobertura da cabeça femoral pelo acetábulo, verificar o grau de maturidade do quadril e, quando necessário, investigar a presença de instabilidade articular.
Na maioria dos casos, todo o procedimento é realizado em poucos minutos, proporcionando informações fundamentais para o diagnóstico precoce e o acompanhamento adequado do desenvolvimento dos quadris.
O que acontece se a displasia não for diagnosticada?
Quando a displasia do quadril não é identificada precocemente, a criança pode desenvolver problemas importantes ao longo do crescimento. Entre as possíveis complicações estão:
- Claudicação;
- Dor;
- Limitação dos movimentos;
- Diferença no comprimento das pernas;
- Artrose precoce do quadril;
- Necessidade de cirurgias futuras.
Por isso, o rastreamento adequado nos grupos de risco para a DDQ é tão importante.
Quando o tratamento é necessário?
Nem toda alteração identificada na ultrassonografia do quadril requer tratamento imediato. Em muitos bebês, especialmente nos casos de imaturidade fisiológica do quadril, ocorre uma evolução espontânea para a normalidade à medida que a articulação amadurece nos primeiros meses de vida.
Por outro lado, quando a avaliação demonstra displasia do desenvolvimento do quadril de moderada a maior gravidade, ou quando existe instabilidade significativa da articulação, o tratamento precoce costuma ser recomendado. Nessa fase da vida, o método mais utilizado é o suspensório de Pavlik, uma órtese que mantém os quadris em posição adequada, favorecendo o desenvolvimento normal da articulação.
O diagnóstico precoce desempenha papel fundamental no sucesso do tratamento. Quando iniciado nos primeiros meses de vida, o tratamento apresenta elevadas taxas de sucesso e reduz significativamente a necessidade de procedimentos mais complexos no futuro.
Como os pais podem ajudar no desenvolvimento saudável do quadril?
Pequenos cuidados no dia a dia podem contribuir para o desenvolvimento saudável dos quadris do bebê. Sempre que possível, deve-se evitar o uso de faixas ou dispositivos que mantenham as pernas excessivamente esticadas e unidas, pois essa posição não favorece o desenvolvimento natural da articulação.
Também é recomendável utilizar carregadores ergonômicos adequados, que permitam que os quadris permaneçam em flexão e abdução, respeitando a posição fisiológica do bebê. Além disso, manter as consultas pediátricas regulares e realizar os exames recomendados pelo médico são medidas importantes para acompanhar o crescimento e o desenvolvimento da criança de forma segura.
O cuidado com os quadris começa nos primeiros meses de vida. A informação adequada, a vigilância dos fatores de risco e a avaliação precoce permitem identificar alterações quando ainda existe uma ampla oportunidade de intervenção, contribuindo para que a criança cresça com mobilidade, conforto e qualidade de vida.
A ultrassonografia de quadril em recém-nascidos é um exame importante para identificar precocemente alterações da articulação, principalmente a displasia do desenvolvimento do quadril. Acreditamos que todos os bebês tem o direito de realizar o exame, principalmente os recém-nascidos com fatores de risco ou alterações no exame físico merecem avaliação cuidadosa e especializada. O diagnóstico precoce permite tratamento mais simples, eficaz e com menores riscos de complicações futuras.
A Dra. Giovanna Braga Motta é especialista em ultrassonografia pediátrica, com foco nas alterações do quadril infantil, oferecendo um atendimento humanizado, preciso e voltado para diagnósticos altamente assertivos. Graduada pela Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública, realizou residência em Pediatria no Hospital Roberto Santos, em Salvador, e posteriormente se especializou em Ultrassonografia Pediátrica em São Paulo.
Possui tese de mestrado, doutorado e pós-doutorado dedicadas ao estudo da ultrassonografia do quadril para o diagnóstico da DDQ, sendo referência na área. Atualmente, atua como ultrassonografista pediátrica em consultório particular, oferecendo uma avaliação especializada, acolhedora e confiável para você e seu bebê.



