
Checklist 2 do Método de Graf: Validação da Imagem e Diagnóstico Confiável da DDQ
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17/06/2025Ultrassonografia de quadril: Quando esse exame deve ser feito?
A ultrassonografia é um exame de imagem que utiliza ondas sonoras de alta frequência, conhecidas como ultrassom, para gerar imagens em tempo real das estruturas internas do corpo. Essas ondas são emitidas por um aparelho chamado transdutor, que capta o eco produzido ao encontrar os tecidos e órgãos, transformando essas informações em imagens visíveis em um monitor.
É uma técnica segura, indolor e muito utilizada na medicina por não envolver radiação. Continue lendo este artigo para saber mais sobre a ultrassonografia infantil e sua importante.

Entenda a displasia de quadril
A displasia do desenvolvimento do quadril (DDQ) é uma condição que compromete o encaixe adequado entre a cabeça do fêmur — o osso da coxa — e a cavidade acetabular, o osso da bacia. Em outras palavras, o “encaixe” do quadril não se forma corretamente, o que pode variar desde um leve desalinhamento até uma luxação completa, quando o osso sai totalmente da articulação. Quando não identificada e tratada logo nos primeiros meses de vida, a DDQ pode evoluir e causar consequências sérias, como dor crônica, dificuldade para caminhar e até o surgimento precoce de artrose no quadril.
Quando esse exame deve ser feito?
A ultrassonografia do quadril pelo método de Graf é essencial para o diagnóstico precoce da displasia do desenvolvimento do quadril (DDQ), especialmente nos primeiros meses de vida. O exame deve ser realizado entre a 4ª e a 6ª semana de vida, mesmo em crianças sem sintomas visíveis. Em alguns países, essa triagem é rotina devido à alta redução das complicações causadas por essa condição.
O exame é ainda mais indicado quando há fatores de risco, como histórico familiar de displasia, apresentação pélvica (bebês que ficam sentados durante a gestação), gestações múltiplas e presença de alterações ortopédicas ou síndromes genéticas que estão associadas ao desenvolvimento das articulações.
Também é fortemente recomendado quando há sinais clínicos sugestivos, como dificuldade na abertura das pernas, assimetrias nas dobras das coxas ou glúteos e estalidos percebidos durante o movimento do quadril, observados nos testes de Ortolani e Barlow.
Nos casos em que a displasia já foi confirmada, a ultrassonografia é usada no acompanhamento do tratamento, ajudando a avaliar a resposta ao uso de órteses ou outras intervenções.
Passo a passo da ultrassonografia
A ultrassonografia do quadril é um exame rápido, indolor e não invasivo, realizado com o bebê deitado de forma confortável em decúbito lateral, no berço posicionador. Não exige nenhum preparo especial, o que torna o procedimento tranquilo tanto para os pais quanto para a criança. Durante o exame, o profissional aplica um gel aquecido na região do quadril para proporcionar a captura da imagem. Com movimentos suaves e precisos, são capturadas imagens detalhadas da articulação, permitindo uma análise minuciosa da morfologia e desenvolvimento do quadril.
Esse exame é especialmente útil porque permite visibilizar estruturas da articulação que ainda está em formação, como cartilagens e tecidos moles, algo que as radiografias convencionais não conseguem mostrar com clareza.

A ultrassonografia pode demorar?
O exame de ultrassonografia do quadril costuma ser bastante rápido, com duração média entre 5 e 8 minutos. Mesmo que a suspeita de displasia esteja presente apenas de um lado, é prática comum avaliar os dois quadris. Isso permite uma análise mais completa e comparativa, já que estudos mostram que alterações podem ocorrer em ambos os lados e, em alguns casos, até regredir espontaneamente em um deles. Avaliar os dois quadris garante maior precisão no diagnóstico e na definição da conduta médica.
O que fazer após a ultrassonografia infantil?
Após a realização da ultrassonografia, não são necessários cuidados especiais. Trata-se de um exame extremamente seguro, que não utiliza radiação e é totalmente indolor. Por isso, o bebê pode retornar à sua rotina normalmente, incluindo alimentação, amamentação, banho e sono, sem qualquer tipo de restrição.
Não há necessidade de repouso, uso de medicamentos ou cuidados adicionais. O procedimento é feito com um gel condutor aquecido e um transdutor que desliza suavemente sobre a pele, sem causar desconforto. Em situações em que o bebê está mais agitado ou chorando durante o exame, é possível que ele fique um pouco mais sensível ou cansado após o procedimento. Nesses casos, um ambiente tranquilo e o contato com os pais costumam ser suficientes para acalmá-lo rapidamente.
O que o médico avalia no exame?
Durante a ultrassonografia, o médico observa diversos aspectos importantes da articulação do quadril. Entre os principais estão:
- O formato e a profundidade da cavidade acetabular, onde o fêmur deve se encaixar corretamente.
- O posicionamento e o alinhamento da cabeça do fêmur dentro da articulação.
- A relação entre os ossos e os tecidos moles ao redor do quadril.
- As medições angulares do quadril, especialmente aquelas feitas pelo método de Graf, que ajudam a classificar o grau de maturidade ou displasia da articulação.
Essas informações são essenciais para identificar alterações precoces e definir a melhor conduta de acompanhamento ou tratamento, caso necessário.
Por que esse exame é importante?
A ultrassonografia do quadril é fundamental porque permite identificar precocemente a DDQ, uma condição que, se não tratada a tempo, pode causar dor, dificuldades na marcha e até artrite precoce na vida adulta. Como o quadril do recém-nascido ainda está em formação, o exame de imagem é o único método eficaz para visualizar com clareza se o encaixe entre o fêmur e o osso da bacia está adequado.
O grande diferencial desse exame é que ele não utiliza radiação, é indolor, rápido e seguro. E o mais importante: quanto mais cedo a DDQ for diagnosticada, mais simples e eficaz é o tratamento, muitas vezes bastando o uso de uma órtese (como o suspensório de Pavlik) para corrigir o problema sem necessidade de cirurgias.
Além disso, o exame ajuda a evitar complicações futuras. Quando a displasia passa despercebida na infância, o paciente pode apresentar dor crônica, limitação de movimentos e até precisar de cirurgia corretiva na adolescência ou vida adulta. Por isso, a ultrassonografia do quadril é uma medida preventiva essencial — especialmente em bebês com fatores de risco ou sinais clínicos suspeitos.
A Dra. Giovanna Braga Motta é especialista em ultrassonografia pediátrica, com ênfase em alterações no quadril infantil, oferecendo um atendimento cuidadoso e preciso para garantir diagnósticos assertivos. Graduada pela Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública, realizou residência em Pediatria no Hospital Roberto Santos, em Salvador, e especializou-se em Ultrassonografia em São Paulo. Com tese de mestrado, doutorado e pós doc em ultrassonografia do quadril para diagnóstico da DDQ. Atualmente, atua como ultrassonografista pediátrica em seu consultório particular, pronta para oferecer o diagnóstico especializado que você e seu bebê precisam.



