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02/07/2026Waddling: O que é e como se relaciona com o quadril infantil?
O termo waddling, também conhecido como marcha anserina ou “andar de pato”, descreve um padrão de marcha em que a criança apresenta balanço lateral do tronco ao caminhar, com base alargada e movimentos oscilatórios de um lado para o outro.
Embora possa parecer apenas uma variação do desenvolvimento motor, esse tipo de marcha pode estar diretamente relacionado a alterações no quadril infantil, especialmente à displasia do desenvolvimento do quadril (DDQ). Entenda mais sobre o Waddling e como se relaciona com o quadril, neste artigo!

O que é a marcha waddling?
A marcha waddling é caracterizada por uma instabilidade na pelve durante a caminhada. Isso ocorre, na maioria das vezes, por fraqueza ou disfunção dos músculos abdutores do quadril, principalmente o glúteo médio, que são responsáveis por manter a pelve estável enquanto a criança dá os passos.
Quando esses músculos não conseguem sustentar adequadamente o peso do corpo, há uma inclinação lateral do tronco, criando o aspecto típico de “rebolado” ao andar.
Waddling é normal no desenvolvimento infantil?
Em fases muito iniciais da marcha, especialmente quando a criança está começando a andar (por volta de 12 a 18 meses), é esperado algum grau de instabilidade. No entanto, a marcha deve evoluir progressivamente para um padrão mais estável.
Se o padrão waddling persiste após os primeiros anos de vida ou se torna mais evidente com o tempo, é importante investigar possíveis causas subjacentes.
O que pode causar a marcha anserina?
A marcha anserina pode ter diferentes origens, envolvendo fatores musculares, ortopédicos e até fisiológicos. Identificar a causa é essencial para definir a conduta adequada. Principais causas incluem:
Fraqueza muscular proximal: Especialmente dos músculos abdutores do quadril, como glúteo médio e mínimo. Essa condição é comum em doenças neuromusculares, como distrofias musculares e outras miopatias, levando à instabilidade pélvica durante a marcha.
Alterações ortopédicas: Problemas estruturais no quadril, joelho ou tornozelo podem alterar a mecânica da caminhada. Exemplos incluem displasia do desenvolvimento do quadril (DDQ), deformidades do fêmur e discrepância no comprimento dos membros inferiores.
Gravidez: Principalmente no terceiro trimestre, devido à mudança do centro de gravidade e ao aumento da frouxidão ligamentar da pelve, resultando em maior balanço lateral ao caminhar.
Condições congênitas: Alterações presentes desde o nascimento, como a DDQ, podem gerar instabilidade articular precoce e o típico padrão de “gingado”.
Se a marcha com “gingado” for persistente ou vier acompanhada de dor, quedas frequentes ou fraqueza progressiva, é fundamental buscar avaliação com um ortopedista pediátrico, no caso de crianças.
Como é o padrão da marcha anserina?
A marcha anserina apresenta características clínicas bem definidas, que ajudam na identificação do problema:
- Passos curtos e base de apoio mais alargada;
- Inclinação lateral alternada do tronco durante a caminhada;
- Aumento da lordose lombar como mecanismo de compensação;
- Sensação de instabilidade ou “quadril solto”;
- Dor na região lateral do quadril ou na virilha;
- Dificuldade para se equilibrar em um único apoio (queda da pelve contralateral);
- Limitação para abdução (abrir as pernas) e/ou rotação interna do quadril.
Em crianças, podem estar associados:
- Atraso para iniciar a marcha;
- Tropeços frequentes e quedas;
- Histórico de “cliques” no quadril durante o desenvolvimento.
Quando se preocupar?
Embora alguma instabilidade possa ser normal nas fases iniciais da marcha, a persistência da marcha anserina ou a presença de sintomas associados exige investigação. O diagnóstico precoce é essencial para evitar complicações futuras e garantir o desenvolvimento adequado da função motora. Observar o padrão de marcha e procurar avaliação especializada no momento certo pode fazer toda a diferença no prognóstico.
Como é feita a avaliação do quadril?
A avaliação da displasia do quadril é realizada por meio de uma abordagem integrada, que combina exame clínico e métodos de imagem, sendo essencial para o diagnóstico precoce e a prevenção de complicações como dor crônica, alterações da marcha e artrose precoce.
Desde os primeiros dias de vida, o exame físico realizado pelo pediatra é parte fundamental da triagem, com a realização das manobras de Ortolani e Barlow para verificar a estabilidade da articulação do quadril. Essas manobras são repetidas ao longo das consultas de puericultura, permitindo a identificação de sinais iniciais de instabilidade.
Nos primeiros meses de vida, a ultrassonografia do quadril, especialmente pelo método de Graf, é o exame de escolha por ser segura, indolor e não utilizar radiação, além de possibilitar a visualização detalhada das estruturas cartilaginosas ainda em desenvolvimento, sendo o método de diagnóstico mais eficaz até cerca de 6 meses de idade.
Após esse período, com o avanço da ossificação da cabeça femoral, a radiografia da bacia passa a ser o método mais indicado, pois permite avaliar melhor as estruturas ósseas e a relação entre o fêmur e o acetábulo, contribuindo para o diagnóstico inclusive em casos não identificados precocemente. Dessa forma, a combinação entre exame clínico e imagem garante uma avaliação mais precisa e orienta a conduta adequada em cada fase do desenvolvimento infantil.
Relação entre waddling e problemas no quadril
A marcha waddling pode ser um sinal clínico importante de alterações no quadril, sendo a DDQ uma das principais condições associadas. Quando o quadril não está adequadamente posicionado ou desenvolvido, há comprometimento da biomecânica da marcha. Entre as principais causas relacionadas ao quadril, destacam-se:
- Displasia do desenvolvimento do quadril (DDQ);
- Luxação congênita do quadril;
- Fraqueza muscular associada à instabilidade articular;
- Alterações estruturais do acetábulo ou da cabeça femoral.
Nesses casos, o waddling não é apenas um padrão de marcha, mas um indicativo de que a articulação do quadril não está funcionando de forma adequada.
Importância do diagnóstico precoce
Identificar precocemente a causa da marcha waddling é fundamental para evitar complicações futuras. Quando associada à DDQ, por exemplo, o diagnóstico tardio pode levar a dor, limitação funcional, encurtamento de membros e até necessidade de cirurgia.
A avaliação deve incluir exame clínico detalhado e exames de imagem como a ultrassonografia (em bebês) ou radiografia (em crianças maiores).
O waddling pode ser uma fase transitória do desenvolvimento ou um sinal de alerta para alterações no quadril infantil. Observar a evolução da marcha e buscar avaliação especializada quando houver persistência ou suspeita é essencial para garantir o desenvolvimento saudável da criança. A atenção precoce faz toda a diferença no prognóstico e na qualidade de vida a longo prazo.
A Dra. Giovanna Braga Motta é especialista em ultrassonografia pediátrica, com foco nas alterações do quadril infantil, oferecendo um atendimento humanizado, preciso e voltado para diagnósticos altamente assertivos. Graduada pela Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública, realizou residência em Pediatria no Hospital Roberto Santos, em Salvador, e posteriormente se especializou em Ultrassonografia Pediátrica em São Paulo.
Possui tese de mestrado, doutorado e pós-doutorado dedicadas ao estudo da ultrassonografia do quadril para o diagnóstico da DDQ, sendo referência na área. Atualmente, atua como ultrassonografista pediátrica em consultório particular, oferecendo uma avaliação especializada, acolhedora e confiável para você e seu bebê.



