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26/05/2025
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26/05/2025Principais manobras que auxiliam no diagnóstico do bebê com displasia do quadril
Saiba mais sobre as principais manobras que auxiliam no diagnóstico do bebê com displasia do desenvolvimento do quadril (DDQ). Boa leitura!

Quais as principais manobras que auxiliam na DDQ?
Quando falamos de displasia do quadril, a detecção precoce é essencial para evitar complicações futuras, como dificuldades na marcha e dor crônica. Para isso, o ortopedista pediátrico utiliza duas manobras clássicas durante o exame físico do recém-nascido e do lactente:
1. Manobra de Ortolani
Avalia se existe uma luxação do quadril que pode ser reduzida. Se houver uma sensação de “clique” ou “salto” no quadril durante a manobra, é um sinal de que a cabeça do fêmur estava fora do acetábulo e voltou para o lugar, sugerindo instabilidade e possível displasia.
2. Manobra de Barlow
Avalia a capacidade de luxar um quadril que parece normal, ou seja, testa se o quadril é instável. Se o quadril se deslocar com essa pressão, é um forte sinal de instabilidade e de displasia.
Como funciona a manobra de Ortolani?
A manobra de Ortolani é um exame clínico fundamental realizado em recém-nascidos, geralmente nas primeiras semanas de vida, durante as consultas de rotina com o pediatra. Ela é especialmente indicada até os seis meses de idade, período essencial em que o diagnóstico precoce da displasia do desenvolvimento do quadril (DDQ) pode evitar tratamentos mais complexos no futuro.
Essa manobra tem como principal objetivo verificar se existe uma luxação do quadril que pode ser reduzida. Ou seja, permite identificar precocemente uma instabilidade na articulação, condição que, se tratada a tempo, possibilita resultados mais simples e eficazes.
Como é feita a manobra de Ortolani?
Durante o exame, o bebê é posicionado deitado de costas, com os quadris e joelhos flexionados. O médico então abre delicadamente as perninhas do bebê (movimento de abdução), segurando firmemente suas coxas.
Ao realizar esse movimento, o examinador pode perceber um “clique” ou um leve “estalido” — sinal de que a cabeça do fêmur estava deslocada e voltou para o encaixe correto dentro do acetábulo. Essa sensação é um indicativo importante de displasia.
A manobra de Ortolani é realizada de forma rutinária nas primeiras consultas pediátricas e, quando associada à avaliação clínica completa e exames complementares (como a ultrassonografia de quadril), permite um diagnóstico precoce, facilitando intervenções menos invasivas e com melhores resultados a longo prazo.
Principais informações sobre a manobra de Barlow
A manobra de Barlow é um exame clínico realizado durante o período neonatal, funcionando como um complemento essencial à manobra de Ortolani. Seu principal objetivo é avaliar a estabilidade do quadril, verificando se uma articulação que aparentemente está bem-posicionada pode ser luxada com uma leve pressão.
Essa avaliação é fundamental porque, em alguns casos de displasia do desenvolvimento do quadril (DDQ), o quadril pode não apresentar sinais visíveis de luxação, mas ainda assim ser instável, o que aumenta o risco de problemas no futuro se não for identificado e tratado a tempo.
Como é feita a manobra de Barlow?
Para realizar o exame, o bebê é posicionado em decúbito dorsal (deitado de costas), com os quadris e joelhos flexionados. O examinador segura cuidadosamente as coxas do bebê, deixando as pernas levemente abduzidas (afastadas).
Em seguida, aplica-se uma pressão suave e controlada para tentar deslocar a cabeça do fêmur (osso da coxa) para fora da cavidade do quadril (acetábulo). Se houver instabilidade ou se o fêmur deslizar para fora do encaixe, isso é um sinal de que o quadril está instável e pode evoluir para uma displasia se não for tratado precocemente.
A manobra de Barlow, portanto, é essencial para identificar quadros ocultos de instabilidade, garantindo que o bebê receba o acompanhamento adequado o quanto antes.
Quais são as diferenças entre as manobras de Ortolani e Barlow?
As manobras de Ortolani e Barlow são ferramentas clínicas fundamentais e complementares na avaliação do quadril dos recém-nascidos. Embora ambas ajudem a identificar a displasia do desenvolvimento do quadril (DDQ), cada uma tem um foco específico:
Manobra de Ortolani: Seu objetivo é verificar se o quadril já está luxado e se é possível reposicioná-lo corretamente. Durante a realização da manobra, com a abertura suave das pernas (abdução) —, a percepção de um “clique” ou “estalido” indica que a cabeça do fêmur estava fora do acetábulo e foi realocada. Portanto, a manobra de Ortolani é usada para confirmar uma luxação existente.
Manobra de Barlow: Diferente da Ortolani, a manobra de Barlow serve para testar a estabilidade do quadril. Com uma leve pressão aplicada durante a aproximação das pernas (adução), o examinador avalia se é possível forçar uma luxação. Se a cabeça do fêmur deslizar para fora do acetábulo com essa pressão, isso revela que o quadril é instável e predisposto à luxação, mesmo que pareça normal inicialmente.
Quando as manobras de Ortolani e Barlow não são indicadas?
Embora as manobras de Ortolani e Barlow sejam fundamentais para o diagnóstico precoce da displasia do quadril, existem situações específicas em que sua realização não é recomendada. A segurança e o conforto do bebê, assim como a precisão diagnóstica, devem sempre ser priorizados. Os principais casos em que essas manobras devem ser evitadas são:
- Idade acima de 3 a 6 meses: Após os primeiros meses de vida, os ossos e articulações do quadril tornam-se mais rígidos, dificultando a identificação de instabilidade apenas pelo exame físico. Nessa fase, a preferência passa a ser por exames de imagem, como a ultrassonografia de quadril (ideal até 6 meses) e a radiografia (após essa idade), para uma avaliação mais precisa.
- Condições ortopédicas específicas: Em casos de malformações congênitas, fraturas ou outras lesões que restrinjam a mobilidade do quadril, a realização dessas manobras pode causar dor ou agravar a condição existente. Técnicas alternativas de avaliação são mais seguras e devem ser consideradas.
- Presença de sinais de dor ou inflamação: Se o bebê apresentar sinais visíveis de dor, inflamação ou infecção na região do quadril ou da coxa, é indicado evitar a execução das manobras para prevenir desconforto adicional e possíveis complicações.

Por que o diagnóstico precoce é essencial?
Detectar a displasia do quadril nos primeiros meses de vida é essencial para garantir um tratamento simples e eficaz. Quando o diagnóstico é feito cedo, soluções menos invasivas, como o uso da órtese de Pavlik, podem corrigir o problema, evitando procedimentos cirúrgicos no futuro.
Consultas de rotina e exames como a ultrassonografia do quadril, especialmente em bebês com fatores de risco, são fundamentais para identificar a condição rapidamente. Quanto mais precoce o tratamento, menores são as chances de complicações no desenvolvimento motor e de sequelas permanentes.
Por outro lado, o diagnóstico tardio pode levar a dificuldades para andar, assimetria dos membros inferiores e limitação dos movimentos, exigindo intervenções mais complexas.
A atenção dos pais e o acompanhamento cuidadoso são decisivos. Observar sinais de alerta e buscar orientação especializada garantem um desenvolvimento saudável do quadril e protegem a qualidade de vida da criança no futuro.
A Dra. Giovanna Braga Motta é médica com ampla formação em Pediatria, Neonatologia e Ultrassonografia, com especialização em ultrassonografia pediátrica. Possui mestrado e doutorado pela UNIFESP, com foco no diagnóstico da Displasia do Desenvolvimento do Quadril (DDQ) em bebês, por meio do método de Graf — técnica que domina desde 1995, com aperfeiçoamento direto com o Professor Graf o criador do método na Europa.
Com mais de 20 anos de experiência e dedicação exclusiva à saúde do quadril infantil, alia ciência, precisão diagnóstica e acolhimento no atendimento. Seu propósito é transformar a vida dos pequenos pacientes com diagnósticos precoces, assertivos e baseados em evidências.



